[Crítica – Mostra SP 2020] Al-Shafaq – Quando o Céu Se Divide (2019)

Al-Shafaq – Quando o Céu Se Divide é uma história contada de forma não linear. Já no início, vemos o Sr. Kara indo ver o seu filho morto. E ao longo de suas quase 1h40 de duração, o filme faz mais idas e vindas na história, acrescentando também a história de um menino refugiado. Nesse vai e vem, acompanhamos a história da família turca que vive na Suíça e momentos na Turquia.

O lado bom dessa história não linear é conseguir criar curiosidade para que possamos imaginar como as duas histórias se unem e encaixar as peças, pelo menos inicialmente. Ainda assim, em alguns momentos senti o filme confuso e esse mesmo recurso acaba distraindo. Além disso, também houve momentos em que senti que o roteiro foi por um caminho “fácil”, criando situações apenas para a história ter andamento, e isso nem sempre aconteceu de forma orgânica e natural.

Mesmo com algumas forçadas no roteiro, o filme consegue acertar ao levantar uma discussão sobre fé ao nos mostrar grupos de fiéis muçulmanos fundamentalistas. Al-Shafaq – Quando o Céu Se Divide pincela sobre vários temas, como crianças refugiadas, um pai rígido, um filho que não ligava para religião e vai ao outro extremo.

Apesar do filme não ter tanta força e ser esquemático demais, há momentos em que nos mostra uns bons paralelos, como quando um motorista de táxi afirma que “No nosso país ninguém fica desamparado”, quando fora do carro a realidade é outra, ou quando um personagem afirma que “A fé nunca causa danos”, quando um dos temas do filme é justamente esse.

Al-Shafaq – Quando o Céu Se Divide faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online

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