[Crítica – Mostra SP 2018] O Anjo (2018)

El Ángel nos mostra a história de um assassino famoso que tem cara de bebê. O assassino ficou famoso na Argentina na década de 1970. O filme do diretor Luis Ortega tem produção de Pedro Almodovar.




No filme, o subtexto erótico e latente fica claro. O protagonista tem lábios carnudos, cachinhos loiros e sexualidade ambígua. Ele é baseado na história real de Carlos Robledo Puch, assassino famoso do país. Recentemente, na prisão há mais de 40 anos, Puch sugeriu que Quentin Tarantino deveria fazer um filme de sua história com Leonardo DiCaprio o interpretando (!). Ok, a história do assassino não ganhou uma superprodução hollywoodiana, mas Luis Ortega fez um ótimo filme.

O novato Lorenzo Perro, que interpreta o assassino, consegue transmitir muito bem o lado narcisista e sociopata do personagem. Nós o conhecemos em 1971, com 17 anos. Na primeira cena, ele invade uma casa luxuosa de Buenos Aires, como quem não quer nada. Após invadir a casa, ele colocar música pop para tocar e começa a dançar, sem nenhuma pressa ou tensão.

Sua relação com Ramon (Chino Darin, filho de Ricardo Darin) começa com os dois se estranhando. Mas pouco depois eles viram amigos e parceiros fiéis no crime. Sempre há, também, homoerotismo implícito na relação de Carlitos com o amigo. Carlitos evita os flertes da mãe de Ramon, interpretada por Mercedes Moran, e aprende a manusear uma arma de fogo com o pai do amigo, que é ex-viciado em drogas, interpretado por Daniel Fanego. A cena em que ele aprender a manusear a arma, inclusive, também tem alta carga de tensão erótica.




Ao confessar todos os seus crimes, a população da argentina fica dividida, tentando esquecer aquela rosto angelical para engolir que ele tem a personalidade sádica e amoral e é responsável por tantos crimes horríveis. Carlitos explica que vem de uma família amorosa e rígida e que rouba apenas por “ter talento”. Ele vê o crime como uma arte e não parece estar em busca exatamente da recompensa, e sim da ação que leva até ela.

Carlitos usa o crime como modo de vida. Gosta do belo, como jóias, boa música e Rámon. Mas o filme não aprofunda nas motivações psicológicas ou sociológicas de Carlitos. O filme poderia ter ficado ainda mais interessante e denso com esse estudo. Lendo sobre o caso na internet, descobri também que o filme preferiu não tocar em alguns casos mais chocantes cometidos por Punch, como sequestro, estupro e assassinato de duas jovens mulheres.

Como alguém que é visto como tão bonito pode ser tão feio por dentro? Pois é, as aparências enganam…




El Ángel foi a maior bilheteria da Argentina em 2018; o filme arrecadou aproximadamente US$ 5 milhões. El Ángel faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é o representante da Argentina a uma vaga no Oscar 2019 na categoria de melhor filme estrangeiro.





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