[Crítica – Mostra SP 2020] Welcome to Chechnya (2020)

O documentário Welcome to Chechnya, dirigido por David France e com roteiro dele e de Tyler H. Walk, é forte e urgente. Ele denuncia as violações dos direitos humanos que acontecem na Chechênia desde 2017. O tema do filme é o chamado Expurgo contra LGBTIs que acontece no país desde aquele ano.

Ramzan Kadyrov, atual presidente da Chechênia, defende a masculinidade tradicional e defende que seja feita uma “limpeza” no país. Entre suas ações estão a detenção, prisão e tortura de LGBTIs. Apesar disso, o presidente nega as ações e afirma que não existem LGBTIs no país e que, caso existam, as suas famílias devem “dar um jeito”.

Em entrevista em junho de 2017 para David Scott, repórter esportivo da HBO, sobre as ações anti-LGBTI de seu país, o presidente da Chechênia afirmou: “Não temos esses tipos de pessoas aqui. Não temos nenhum gay. Se houver algum, podem levar para o Canadá. (…) Pelo amor de Deus. Levem-nos para longe, para que não estejam em nossas casas. Se houver algum aqui, levem, para purificar o nosso sangue”.

O documentário nos apresenta a um grupo de ativistas que ajudam pessoas que se sentem ameaçadas ou que correm risco de morte no país e os ajuda a fugir para outras regiões da Rússia ou até mesmo para outros países. Essas pessoas têm o rosto digitalmente modificado para que suas identidades sigam protegidas.

A Chechênia está localizada na República da Chechênia, uma das repúblicas da Federação da Rússia, de maioria muçulmana. A perseguição aos homossexuais no local termina em casos de assassinatos, torturas e mutilações de inocentes. Enquanto autoridades escondem dados, como Vladimir Putin afirmando não haver registros sobre os casos, o documentário nos mostra vídeos, áudios e textos. E pede para que o mundo não feche os olhos para isso.

Com o tom de denúncia, o documentário tem intenção e consegue dar visibilidade ao grupo Rede LGBT, que já ajudou quase 200 moradores da Chechênia a escapar do local e terem direito à vida. Além das histórias daquelas pessoas com pseudônimos e rostos alterados digitalmente, vemos imagens fortes de agressões. Não tem como ficar indiferente ao documentário e não sentir o impacto de todas aquelas imagens e histórias. Causa revolta de ver tudo aquilo acontecendo ao mesmo tempo em que você está lendo esse texto. É um documentário obrigatório.

Welcome to Chechnya ganhou prêmio de Melhor Montagem de Documentário no Festival de Sundance, Prêmio de Cinema da Anistia Internacional e o Prêmio Teddy de Ativismo e prêmio da Audiência Panorama no Festival de Berlim. O The Intercept Brasil fez um bom texto sobre o caso, denunciando que a Chechênia está tentando exterminar homossexuais – leia aqui.

Welcome to Chechnya faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online

Exibido e premiado nos festivais de Berlim, Sundance e Hot Docs

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