[Crítica] Killing Eve: 3×08 – Are You Leading or Am I?

Enfim, chegamos ao fim da terceira temporada de Killing Eve, com o oitavo episódio, “Are You Leading or Am I?”. Assim como grande parte dos episódios dessa temporada, a finale teve altos e baixos, momentos mais ou menos, mas momentos que achei maravilhosos.

O episódio começa com Konstantin (Kim Bodnia) saindo do hospital e Dasha (Dame Harriet) morrendo. Em seguida, Villanelle (Jodie Comer) e Carolyn (Fiona Shaw) se encontram. Também no início do episódio, temos a primeira cena entre Villanelle e Eve (Sandra Oh).

Villanelle e Eve se encontram em um clube de tango, local em que ela matou pela primeira vez em Londres. Nesse momento, vemos Villanelle pensando no passado, enquanto Eve está presa no presente. Uma coisa legal e interessante da cena foi a hesitação de Villanelle. Ela sempre teve muita atitude na dinâmica com Eve. Mas ali, ela estava numa posição de mais insegurança e até fragilidade. Quando Eve levanta e tem a atitude de chamar Villanelle para dançar, vemos ali, talvez pela primeira vez, ela com algo de vulnerabilidade e timidez.

Nunca vimos Villanelle vulnerável assim com alguém, apenas com os seus próprios dilemas pessoais sobre assassinatos. Ao lado de Eve, podemos ver Villanelle derrubando o muro e mostrar mais de seu interior. E então chegamos à cena da dança. Toda a cena é fofa, com as duas dançando abraçadas de olhinhos fechados e entregues ao momento. Do jeito delas, com toda a loucura que a história delas têm, há confiança ali. Naquele momento, nenhuma está tensa ou pensando que pode ser esfaqueada ou receber um tiro, como já aconteceu antes.

A breve conversa que as duas têm durante a dança também é muito significativa. Villanelle aponta para um casal que está na pista de dança e pergunta se Eve deseja ser daquele jeito. Eve diz que não mais. Até aí, a gente pode pensar que Eve está falando sobre Niko (kkkk) ou sobre alguém que irá aparecer em sua vida. Mas ela deixa claro que está falando de Villanelle e fala sobre como o sentimento entre elas é visceral.

O momento Villaneve é interrompido por Rhian, que aparece no local, fazendo Villanelle pedir para Eve sumir dali. Villanelle dá as orientações de para onde Eve deve ir e o que deve fazer para ter “liberdade”. Na estação de metrô, Villanelle e Rhian têm um embate e Villanelle se livra da personagem de vez. Vulnerabilidade e dilemas à parte, ela ainda é uma assassina. E sai da estação de metrô, após matar Rhian à sangue frio, bem cheia de si, acompanhada de uma trilha sonora cheia de atitude, característica de Killing Eve.

Eve vai ao local indicado por Villanelle, pega o objeto e, na saída, encontra Konstantin. Ele inventa que o objeto é apenas um presente para sua filha, mas Eve não abre mão e não entrega. Enquanto isso, temos uma breve e divertida cena de Villanelle no trabalho de Eve, enquanto as pessoas dali olham para ela com medo e fascinação, afinal, é ela.

Paul liga para Konstantin e manda ele ir à sua casa. Konstantin vai com Eve e, pouco depois, Villanelle chega ao local (o episódio se preocupou em mencionar Konstantin falando em ativar a localização do celular para ter a justificativa de Villanelle encontrar onde os dois estavam).

Na casa de Paul, os acontecimentos mais importantes são o fato de Carolyn, no último segundo, poupar a vida de Konstantin e, principalmente, quando Konstantin está indo embora, chama Villanelle e ela escolhe ficar com Eve. Além disso, toda essa sequência deixa mais claro como Carolyn entende a relação de Villaneve, como as duas têm uma conexão e atração, mesmo que meio distorcida. Quando Eve vai embora do local, Carolyn pergunta se Villanelle não vai correr atrás dela. E Villanelle vai.

E então chegamos à cena final, a melhor do episódio e uma das mais bonitas de Killing Eve. Só por ela, o episódio poderia valer cinco estrelas. Atuações perfeitas (como sempre), fotografia linda (como habitual), trilha sonora bonita e significativa (como de costume). Temos uma conversa profunda entre as duas personagens principais da série.

Primeiro, Eve constata sobre o que apenas as duas acham um ato romântico. A reação de Villanelle a tudo que ela escuta de Eve, e principalmente à parte em que Eve fala sobre não querer mais aquilo, mostra o círculo perfeito que o arco da personagem fez essa temporada e seu crescimento.

Enquanto na temporada anterior vimos Villanelle afirmando que Eve é dela e atirando na personagem, sem aceitar outra decisão senão aquela que queria, agora vemos uma Villanelle aceitando o outro lado. Abrindo mão do que gostaria para ceder a quem ama. Eve diz que quando pensa em seu futuro, Villanelle sempre está nele (e Villanelle diz que é um rosto bonito para aparecer em seu futuro – e está certa). Mas, quando Eve fala que não quer mais aquilo, ela aceita.

Villanelle aceita e dá as instruções do que elas têm que fazer. Numa cena bem delicada e bonita, as duas ficam uma de costas para a outra. Villanelle diz que agora basta cada uma caminhar e não olhar para trás. Enquanto se afastam, as duas hesitam e percebem, afinal, que não querem se afastar e nunca mais se ver. Talvez faltava essa perspectiva de sumir uma da vida da outra para perceberem com clareza que o que querem, na verdade, é o oposto disso.

A disposição de Villanelle em deixar Eve partir, se é isso que ela acha o melhor para sua vida, mostra o crescimento da personagem. Se isso era o que Eve queria, ela iria lidar com a dor sozinha. O beijo, que acho que muita gente (inclusive eu) esperava, não aconteceu. Mas fica claro que algo muito mais grandioso aconteceu ali naqueles segundos finais do episódio. E que alívio deve ter sido, para as duas, ver que a outra também virou.

E agora que a temporada chegou ao fim, um balanço geral: Para mim, o ponto alto da terceira temporada de Killing Eve foi todo o arco de Villanelle. Gostei da atenção e da aprofundada que deram à personagem. Destaque ao episódio em que ela vai à casa de sua família. Imagino que muita gente (incluindo eu) tinha curiosidade sobre o passado da personagem e, além disso, a temporada deu mais nuances para Villanelle.

As atuações, como sempre, são impecáveis. O destaque óbvio fica por conta de Jodie Comer e Sandra Oh. A química que as duas atrizes mostram em cena é sempre algo a se apreciar nos episódios em que interagem. As duas conseguem transmitir muito, seja com diálogos ou apenas com olhares e expressões faciais.

Entre os pontos baixos da temporada, destacaria todos os enredos de personagens secundários. Na maioria das vezes, a série não conseguiu me engajar nessas histórias. E isso vale em muitos momentos até para Eve, que foi mais coadjuvante nessa temporada. Mas o plot secundário e personagem secundário que mais me entediou foi, com certeza, o de Geraldine.

A temporada foi irregular, mas, quando pode, brilhou. Principalmente quando se comprometeu a inserir mais camadas nos personagens.

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