[Crítica] Killing Eve: 3×05 – Are You From Pinner?

Enquanto o 3×04 foi todo dividido em blocos focados em cada personagem, o quinto episódio de Killing Eve, “Are You From Pinner?”, foi inteiramente focado em Villanelle (Jodie Comer). Neste episódio, conhecemos a família da personagem e, claro, mais sobre ela.

O episódio começa onde o episódio anterior terminou, com Villanelle chegando na cidade em que sua família mora. Ao entrar na casa, Villanelle olha as diversas fotos da família; só essa cena inicial já é interessante para nos fazer pensar em que a personagem pensa enquanto vê aquelas fotos sem ela estar presente.

Em boa parte do episódio, o rancor e mágoa de Villanelle é palpável, assim como o seu desconforto em meio àquelas pessoas. Jodie Comer brilha mais uma vez, e aqui talvez seja o seu ponto alto da temporada até agora. Conseguimos ver em suas expressões, falas e gestos o que Villanelle está sentindo a cada cena.

Tecnicamente, também achei um ótimo episódio, com sequências bem montadas e editadas, como a que Villanelle anda em desespero quando sua mãe chega em casa ou quando todos de lá, menos ela, estão cantando, até que ela tenta se juntar ao momento e grita – e seu grito tem um corte de edição abrupto e certeiro.

Como sempre, os figurinos são um destaque à parte. Villanelle chega à cidade com um look bem urbano, com o fone de ouvido no pescoço, e, do Festival da Colheita até o fim do episódio, parece ter naturalizado mais o estilo daquele lugar. A primeira e a última foto desse post, que mostra Villanelle no mesmo local, mas no início e depois no fim do episódio, ilustra bem essa mudança, de alguém deslocada a alguém que integra o local (ou ao menos tenta).

É legal de acompanhar o tipo de ligação que ela tem com Bor’ka, o menino fã de Elton John, e como ele toca em algo íntimo dela de alguma forma. Desde que inicia com ele falando sobre sua paixão por Elton John, passando pelos momentos em família, o momento dos dois na festa da colheita e ele contando sobre a sua mãe e o final, em que ela deixa dinheiro para ele ir em busca do seu sonho. Outra cena legal é a em que Villanelle ri dos terraplanistas e todas aquelas teorias.

Foi como um conto, mas ajudou a adicionar mais camadas em Villanelle. E, como é característico de Killing Eve, foi cheio de contrastes. No início do episódio, ela tentando se encaixar nas cenas e sentindo o desconforto. No fim, no Festival da Colheita, ela se divertindo e inclusive verbalizando como aquilo é divertido.

No início do episódio, quando ela encontra a mãe pela primeira vez e a abraça, Villanelle está com lágrimas nos olhos, mas ao mesmo está com os punhos cerrados, mostrando que não está relaxada. No início do episódio, Villanelle perguntando à sua mãe por que ela não deixou o seu irmão. No fim do episódio, ela querendo se sentir como uma criança e ser cuidada por sua mãe.

Ainda no Festival da Colheita, logo após Villanelle falar que aquilo é divertido, quando ela parece começar a gostar do que está vivendo, Bor’ka conta que sabe que envergonhou sua mãe após perder a competição, pois ela mesma admitiu isso. Bor’ka diz que sua mãe foi até ele, falou que ele é estúpido e que a envergonhou. Se ainda restava alguma dúvida, fica mais claro como a mãe de Villanelle não é uma boa mãe. E talvez esse tenha sido o ponto crucial para Villanelle se ver em seu irmão mais novo e poupá-lo no fim do episódio.

Depois do Festival da Colheita, Villanelle tenta ter um momento “mãe e filha” com sua mãe. É bem bonito – e triste – ver aquele micro momento em que a mãe está limpando o “sangue” do rosto de Villanelle e a personagem parece estar gostando e aproveitando aquele “carinho”. Mas ela recebe como resposta que deve ir embora, pois não pertence àquele lugar. A mãe também admite ter medo de Villanelle e diz que o pai também tinha. “Seu pai achou que você faria algo contra nós, contra mim”, diz a mãe de Villanelle. Toda a cena é bem tensa.

Villanelle revela que gostaria que sua mãe admitisse que é sua mãe, mas recebe como resposta apenas que deve ir embora. Então Villanelle decide que deve recorrer ao seu método mais comum, a destruição. Ela salva apenas seu irmão gêmeo, que dormia no celeiro, e Bor’ka, deixando uma carta pedindo para ele ir para fora da casa e mudar de vida.

A cena final, com Villanelle no trem, é bem significativa. A personagem está ouvindo música, totalmente inquieta, chega a dar uma olhadinha para nós. Um misto de desespero, inquietude, choro e euforia. Jodie Comer sempre se destaca e nos mostra, episódio a episódio, sua atuação perfeita. Mas nesse, totalmente centrado em Villanelle, o seu poder e total controle sobre a personagem fica ainda mais evidente.

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