Spotify pode cobrar valor extra para usuários criarem remixes com IA
O Spotify está desenvolvendo uma ferramenta que permitirá aos assinantes criar remixes e versões alternativas de músicas com inteligência artificial. A novidade poderá ser lançada no primeiro trimestre de 2027 e deve exigir um pagamento adicional à assinatura Premium, segundo informações do Financial Times.
A plataforma estuda cobrar entre US$ 4 e US$ 5 mensais pelo recurso, que funcionaria como um complemento ao plano já contratado. Tanto o valor quanto a previsão de lançamento ainda estão em discussão, e o Spotify não confirmou oficialmente nenhum dos dois.
Com a ferramenta, os usuários poderão modificar músicas existentes utilizando inteligência artificial generativa. Entre as possibilidades estão transformar uma canção de determinado gênero em uma faixa dançante ou criar uma versão que reproduza características vocais de outro artista. A proposta não é gerar composições inteiramente novas, mas permitir alterações em gravações já disponíveis na plataforma.
O uso das músicas dependerá, entretanto, da autorização dos artistas. Mesmo quando uma gravadora participar do projeto, seus músicos poderão decidir individualmente se desejam disponibilizar suas obras para a criação de remixes e covers com inteligência artificial.
O Spotify também pretende criar um sistema de remuneração para os titulares dos direitos autorais. Segundo os planos divulgados, as reproduções das versões produzidas pelos usuários poderão gerar royalties para os responsáveis pelas músicas originais. Os remixes também poderão aparecer em playlists e contribuir para os números de reprodução das composições.
A empresa já anunciou acordos com Universal Music Group, Merlin, Kobalt e Believe. Em outubro, o Spotify confirmou a parceria com a Believe, que permitirá a participação de artistas e gravadoras ligados à distribuidora e à TuneCore. As negociações com Sony Music e Warner Music ainda estão em andamento.
A novidade surge em meio às discussões sobre o uso de inteligência artificial na indústria musical. Em setembro, por exemplo, Flora Matos utilizou a tecnologia na identidade visual de seu novo álbum, mas esclareceu que não a empregou para produzir as músicas do disco.
De acordo com o Financial Times, o Spotify considera apresentar a ferramenta próximo à cerimônia do Grammy, marcada para fevereiro de 2027. A data ainda não foi confirmada, assim como os países que receberão o recurso inicialmente e os artistas cujas músicas estarão disponíveis para alterações.
