[Crítica] Maria Callas (2024)
Maria Callas, novo filme do diretor chileno Pablo Larraín, foi lançado encerrando a trilogia do cineasta com cinebiografias sobre mulheres notáveis do século XX, mulheres famosas incapazes de exercer controle sobre suas vidas. O filme estreia após Jackie, de 2016, e Spencer, de 2021. Assim como aconteceu com Natalie Portman e Kristen Stewart, Angelina Jolie, que dá vida à protagonista do novo filme, vem colecionando elogios e indicações em premiações.
O filme é ambientado em Paris, na França, e faz uma espécie de contagem regressiva para a morte de Maria, mostrando os seus últimos dias em vida. A cantora greco-americana de ópera faleceu aos 53 anos, em 1977. O filme mostra a vida reclusa de Maria em seus momentos finais, tentando reencontrar a sua voz, e mostra momentos felizes por flashbacks.
O filme usa as vozes de Maria Callas e Angelina Jolie, que dedicou sete meses para aprender a cantar ópera. Os seus vocais foram capturados ao vivo no set. A voz de Callas foi utilizada nas cenas ambientadas em seu apogeu. Em muitas cenas, a dublagem de Angelina fica estranha e soa bem artificial.

Maria não é uma narradora confiável para a história. O filme mistura ficção e realidade, como quando ela é entrevistada por Mandrax (Kodi Smit-McPhee), que não existe e trata-se do nome do remédio que ela toma. As nuances entre fantasia e realidade dão um tom interessante ao filme, mas apenas num primeiro momento. Essa trilogia de Larraín fala sobre mulheres incapazes de exercer o controle sobre suas vidas, mas, aqui, Maria tenta tomar as rédeas da narrativa do filme. Ela cria o seu filme e responde perguntas que ninguém está fazendo.
Angelina Jolie consegue capturar a elegância, carência, insegurança e arrogância da cantora e tem uma boa performance durante o longa. Mas o roteiro do filme é um pouco superficial e não consegue envolver bem quem não está a par da história da cantora previamente ou aprofundar na mente da personagem. A atriz consegue dominar a tela, mas o filme não consegue envolver e é tedioso. Faltou aprofundamento à história.

Os detalhes do filme e a ambientação são bonitos e a cinematografia de Ed Lachman encanta. Mas o filme é dispensável. Maria Callas é um filme limitado, vago e entediante, que se ancora na performance de Angelina Jolie para tentar crescer e se consolidar. Visualmente deslumbrante e com boa atuação de Angelina, a distância que o roteiro conta a história, sem aprofundar ou detalhar nenhum aspecto, faz o filme ser emocionalmente frio. Maria Callas parece não ter nada a dizer e termina sem ter trazido quase nada.

