Lázaro Ramos fala sobre paternidade negra e relação com Yuri Gomes em Feito Pipa
Lázaro Ramos falou sobre os desafios de interpretar Batista, pai de Gugu (Yuri Gomes), em Feito Pipa, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5). Em entrevista divulgada no material de imprensa do filme, o ator comentou a construção do personagem, a representação da paternidade negra no cinema e a relação que desenvolveu com o jovem protagonista durante as gravações.
Dirigido por Allan Deberton, o longa acompanha Gugu, um menino criado pela avó Dilma (Teca Pereira), que respeita sua personalidade e suas escolhas. Quando a saúde dela começa a piorar, ele enfrenta a possibilidade de morar com o pai, que tem dificuldade em aceitar o jeito do filho.
Para Lázaro, era importante que Batista não fosse retratado apenas como um homem rígido e distante. Durante os ensaios, o ator trabalhou com o diretor para mostrar um pai que ama o filho, mas não consegue demonstrar esse sentimento livremente.
“Batista deseja para ele uma vida morna, mediana, enquanto o filho quer brilhar e seguir o próprio caminho. Então, cada olhar e cada fala foram muito pensados para transmitir esse conflito”, explicou.
O ator também destacou a importância de representar pais com características mais complexas. Segundo ele, as histórias costumam abordar figuras paternas ausentes ou idealizadas, deixando menos espaço para personagens que enfrentam contradições na relação com os filhos.
“Muitas vezes, falamos do pai ausente ou do pai herói, mas não temos tantos personagens que sejam pais em conflito, como Batista”, afirmou.
Lázaro acrescentou que a questão racial também faz parte dessa discussão, já que os três protagonistas do filme são negros. Para ele, interpretar Batista permite abordar a paternidade negra a partir de conflitos que nem sempre recebem espaço nas produções audiovisuais.
Fora das câmeras, a relação com Yuri Gomes foi bastante diferente daquela vivida pelos personagens. Lázaro contou que a conexão com o menino aconteceu desde o primeiro encontro, especialmente por ambos serem baianos e terem começado a atuar ainda na infância. “A sintonia com o Yuri surgiu imediatamente. Ele também é um ator que começou muito cedo no teatro, como eu”, disse.
Segundo a diretora de elenco Luciana Vieira, Yuri já era fã do trabalho de Lázaro em Ó Paí, Ó e ficou animado quando soube que interpretaria seu filho no cinema.
Durante a preparação, os dois também assistiram juntos a Central do Brasil, de Walter Salles. Luciana contou que a equipe chegou a imaginar que Yuri não se interessaria pelo filme, mas o menino acompanhou a exibição até o final e se emocionou.
A preparação também exigiu cuidados para que o jovem ator compreendesse a diferença entre os conflitos dos personagens e a relação construída fora das câmeras. Segundo Luciana, era importante que Yuri pudesse experimentar emoções difíceis durante as cenas sem carregá-las para a vida pessoal.
Ao final das filmagens, os dois mantiveram a proximidade desenvolvida durante os ensaios, sem que os conflitos entre Gugu e Batista interferissem na relação entre os atores.
Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027, Feito Pipa chega aos cinemas nesta quinta-feira (5), com distribuição da Paris Filmes. O longa também já foi analisado na crítica de Feito Pipa publicada pelo Minuto POP.
