[Crítica] O Último Trago (2016)
Precisei ler mais sobre O Último Trago para me sentir preparada a escrever sobre ele. A primeira crítica que li afirmada que, se não tivesse visto uma sessão com a presença de alguns dos diretores e perguntado sobre o que quiseram transmitir, a sua opinião do filme teria sido pior. E essa é minha primeira crítica sobre o filme.
Para mim, não podemos depender de diretores explicando o que quiseram transmitir com suas obras. Devemos entender – e gostar – das obras sem nenhuma “explicação” adicional. Porque entendemos a sua plenitude. Às vezes isso pode acontecer depois de assistir ao filme, inclusive. Mas é sempre melhor quando entendemos sem precisar que terceiros expliquem por que deveríamos gostar do filme.
Vamos lá. Vou copiar aqui trecho da crítica do site Plano Crítico, sobre o argumento do filme, segundo dois dos três diretores do filme: “a não rejeição de ideias surgidas durante a conversa, desde que estas não fossem muito expositivas ou tivessem sentido óbvio e imediato. A ideia do argumento, assim como os diferentes tratamentos do roteiro nos anos seguintes, era fazer o espectador pensar sobre uma série de coisas a partir de peças (isoladas ou não) fornecidas pela película”.
No primeiro ato do filme, vemos uma índia sendo resgatada por um personagem. Valéria lembra que foi escravizada. Vemos a personagem dançando no palco de uma boate.A cena é bonita e envolve. E eu aumentei minha expectativa com o filme a partir daí. Mas, para mim, ele caiu em seus dois atos seguintes.

É um filme bonito, todo mérito para a fotografia comandada por Ivo Lopes Araujo, mas o filme pecou no roteiro e seu desenrolar. O filme trata de temas importantes, sim, como extermínio indígena, intolerância, racismo e feminicídio. Mas não acho que o roteiro fez jus ao objetivo que o filme tem de tocar nesses temas.

