Crítica

[Crítica – Mostra SP 2018] Guerra Fria (2018)

Em Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski, acompanhamos a história de um casal ao longo de mais de uma década. Ele, Wiktor (Tomasz Kot), é um maestro polonês e ela, Zula (Joanna Kulig), é uma cantora. Os dois vivem um romance cheio de términos e recomeços. O romance deles, além de se passar ao longo de mais de uma década, acontece em diferentes países; os dois sempre acabam se reconectando.




O casal se conheceu durante a Guerra Fria, quando a Polônia usava a música para se reerguer. Enquanto ele já tem uma carreira consolidada, ela está tentando se descobrir e descobrir o seu lugar. Enquanto Wiktor representa alguém metódico, ligado ao que é ultrapassado, ela representa o espírito livre e renovação.

Começamos o filme na Polônia, em 1949. Wiktor e Irena (Agata Kulesza) estão no local gravando canções folclóricas. Eles fazem audições para cantores e dançarinos, que devem mostrar o autêntico som da Polônia. Zula faz uma audição e chama atenção de Wiktor. Em vez de cantar uma música polonesa, ela canta uma música aprendida em um filme russo. Irena acha que ela trapaceou, mas Wiktor fica fascinado; e lhe contam pouco depois que Zula mateu o seu pai. Mais para frente do filme, ela explica: “Ele me confundiu com minha mãe, então eu usei uma faca para mostrar a diferença”.




No fim, a história de mais de uma década e tantas separações não mudou o que Wiktor e Zula sentiam um pelo outro. A cada encontro, eles, claro, são pessoas diferentes, que viveram coisas diferentes e com pessoas diferentes. Mas o essencial não muda. A história é comum, já foi contada em incontáveis outros filmes. Mas isso não faz com que ela seja menos especial. A história de amor dos dois é cheia de romantismo, sim, mas cheia de melancolia na mesma medida.

Paweł Pawlikowski ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes 2018 por este filme. O diretor contou que o csal do filme foi inspirado em seus pais, que descreveu como “os personagens dramáticos mais interessantes que já vi. Pessoas fortes e maravilhosas, mas, como casal, um desastre sem fim”.

Guerra Fria faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é o representante da Polônia a uma vaga no Oscar 2019 na categoria de melhor filme estrangeiro.