[Crítica – Mostra SP 2018] Caminhos Magnéticos (2018)

Em Caminhos Magnéticos, conhecemos Raymond (Dominique Pinon), um francês de 60 e poucos anos que vive numa Portugal distópica com sua esposa e Catarina (Alba Baptista), sua filha.




Catarina está prestes a se casar com um homem rico. Raymond começa a se arrepender de ter concordado com o casamento da filha e então ele passa por uma noite repleta de pesadelos. O filme é curto, cerca de 1h30, e quase todo ele pe feito com duas ou mais imagens em sobreposição. As imagens sobrepostas são a visão de Raymond e a perspectiva que as pessoas tem sobre ele. Ou as imagens são os olhos de sua família ou do regime olhando para ele. O filme faz uso de muitas cores, especialmente azul e vermelho.

Muitas cores, muitas imagens em sobreposição… características que poderiam ter sido melhor usadas, mas só serviram para deixar o filme mais confuso. Ainda assim o filme consegue levantar algumas reflexões. Ney Matogrosso faz participação especial no filme, no papel do “espírito” André. Ele é líder de um culto religioso e também líder de um grupo de revolucionários contra a ditadura. André sempre fala sobre a condição humana e tenta transmitir ao personagem principal que “dinheiro não é tudo”.




Ainda que tenha pouco mais de 90 minutos, a quantidade de sobreposições e efeitos acabam ficando cansativo. O mais interessante do filme está na construção da distopia, em que todos são vigiados, em que não devem pensar (“pensar é matar”) e que vivem com toque de reconhecer. Mas parece que o diretor Edgar Pêra pesou a mão no tom experimental e que todo esse exagero mais nos distrai do que nos faz entrar na obra.

Não há problema em ser experimental, não há problema em ser muito experimental. Mas ao ser muito experimental sem um “propósito”, o filme acaba soando vazio, mesmo pincelando temas tão importantes. Toca em vários temas, mas não consegue ser claro em nenhum. Confuso.

Caminhos Magnéticos faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo




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