[Crítica – Mostra SP 2018] Operação Overlord (2018)

Operação Overlord nos mostra a história de soldados dos Estados Unidos que lutam contra zumbis nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é produzido por J.J. Abrams e dirigido por Julius Avery.




Um parênteses importante: Durante a Segunda Guerra Mundial, Josef Mengele foi membro de uma equipe de médicos responsáveis por selecionar vítimas a serem mortas nas câmaras de gás. Lá, eram feitos experimentos humanos mortíferos. Conhecido como “Anjo da Morte”, ele era obcecado em entender a genética humana e fez diversos experimentos cruéis na época. Ele injetava tinta nos olhos das pessoas para tentar mudar a pigmentação da íris (alguns sofriam infecção e outros ficavam cegos. Quando não “servia” mais, Mengele matava, arrancava os olhos e colocava os olhos na parede), tirava órgãos de crianças vivas e sem anestesia para verificar se elas sobreviviam, injetava sangue de um irmão gêmeo no outro para estudar possíveis reações…

Podemos dizer que Operação Overlord usa a crueldade de Josef Mengele como inspiração para criar sua história. O filme pega os experimentos reais de Mengele e leva a um extremo: lá, os nazistas criaram um soro especial que revive os mortos. Não dá para classificar o filme em um gênero só. Ele tem toques de filme de guerra, terror, ação e até momentos de comédia.

Os personagens não têm tanta profundidade assim. Temos o soldado que é a “bússola moral” do grupo, o engraçado, o fotógrafo, o cabo Ford (Wyatt Russell), que bate de frente com Boyce (Jovan Adepo) e faz com que ele cumpra as missões. O protagonista Boyce é o velho arquétipo do soldado com moral impecável tentando ter boas atitudes em um ambiente devastado pela guerra. Sempre tenta se guiar por sua moral, mas comete atos questionáveis ao obedecer seu superior. O grupo de soldados encontra Chloe (Mathilde Ollivier), uma francesa que fez acordo sexual com o oficial nazista (Pilou Asbæk) para manter a segurança de sua casa. O irmão mais novo de Chloe é responsável por alguns momentos engraçadinhos do filme.




Mas o filme, que tem roteiro de Billy Ray e Mark L. Smith, levanta boas questões. Por exemplo, como vencer os nazistas sem se “corromper” e “descer ao nível deles? É possível? Em certo momento, o cabo tortura um soldado nazista para conseguir informações. Ele quase espanca o soldado até a morte. Boyce se desespera e implora que o oficial pare. Falando nisso, as cenas de violência são bem explícitas e fortes.

Apesar da falta de profundidade, o filme cumpre o que promete. O elenco todo está bem e consegue fazer ocm que você se importe com os personagens. A Chloe de Mathilde Ollivier mostra que é perfeitamente capaz de lidar com os nazistas sem ajuda de nenhum dos soldados e é um dos destaques. Uma perfeita bad-ass com carinha meiga. Pilou Asbæk está ótimo como vilão do filme e também é um destaque. Wyatt Russell e Jovan Adepo também estão ótimos em seus papéis.




Há várias cenas angustiantes, como a que abre o filme, em que os soldados estão no avião, minutos antes dele ser abatido. Vemos o avião explodindo, eles se jogando com para-quedas, Boyce caindo no mar, tentando cortar o para-quedas para chegar à superfície… Um grande mérito do filme é conseguir fazer você ficar tenso e se divertir ao mesmo tempo, e com muito estilo. Não se admire se em um momento estiver se contorcendo em uma cena violenta e muito sangrenta e ao mesmo tempo se divertindo com a história.

Operação Overlord é gore, violento e que não usa tantos artifícios além de um bom roteiro e muito sangue. Uma boa pedida para quem quer se divertir com um filme despretensioso.

Operação Overlord faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo





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