Crítica

[Crítica] Truque de Mestre – O 3° Ato (2025)

Depois do sucesso inesperado de Truque de Mestre, lá em 2013, houve um esforço imediato para transformar o filme em uma franquia. A segunda parte, lançada em 2016, repetia a maior parte das ideias do original: grandes golpes mascarados de ilusionismo, um mundo secreto de mágicos e a promessa de expandir esse universo. O resultado financeiro caiu um pouco, especialmente nos Estados Unidos, mas ainda assim garantiu fôlego para continuar investindo na marca.




Nove anos depois, Truque de Mestre 3 surge tentando recuperar um público que já tinha seguido adiante, trazendo uma leva de novos rostos e uma trama que se apoia mais no espetáculo visual do que em algo realmente inventivo. Com direção de Ruben Fleischer e roteiro assinado por quatro nomes, o filme tende a repetir fórmulas desgastadas, entregando um retorno morno à franquia.

Truque de Mestre 3

A história começa quando Danny (Jesse Eisenberg) ressurge ao descobrir que um trio de jovens ilusionistas está usando a imagem dos Quatro Cavaleiros para executar golpes supostamente altruístas. Ele conhece Charlie (Justice Smith), June (Ariana Greenblatt) e Bosco (Dominic Sessa), que exibem suas habilidades enquanto recebem dO Olho uma nova missão. O alvo é Veronika (Rosamund Pike), dona de uma gigante sul-africana de diamantes com ligações sombrias que remontam à Segunda Guerra. Ela está prestes a apresentar ao mundo o gigantesco Coração de Diamante, e cabe ao grupo recuperá-lo antes que a peça fortaleça ainda mais seu império. Henley (Isla Fisher), Jack (Dave Franco) e Merritt (Woody Harrelson) logo se juntam ao plano.

A primeira metade do filme flui com leveza. O trio jovem entra bem na dinâmica, Dominic Sessa se destaca com timing cômico afiado e a troca de farpas entre a equipe velha e a nova funciona, especialmente quando os mais novos desafiam os veteranos. Essa parte é divertida, ainda que se assemelhe a um molde da Marvel, com diálogos autoparódicos quando os super-heróis se encontram.

O filme tenta criar momentos emocionais entre personagens que nunca dividiram cena antes, mas essas conexões soam forçadas e não rendem impacto dramático real. Na segunda metade, os problemas começam a pesar: a ilusão perde o brilho, a narrativa passa a repetir ideias e os acontecimentos se tornam previsíveis. 

Truque de Mestre 3

É até difícil escrever sobre o filme, já que ele é tão… esquecível? Não é que a experiência seja desagradável; o tempo até passa de forma razoável. O problema é que o longa parece montado em blocos desconectados, como se estivesse mais preocupado com pequenos pedaços isolados do que com a unidade do conjunto.

Há bons atores e há boas cenas. O início, por exemplo, funciona muito bem: ágil, divertido e com ritmo, mergulhando o espectador rapidamente na proposta. Mas nada disso se sustenta porque falta o essencial: o elo que deveria unir tudo. Falta coerência no roteiro, qualquer preocupação em manter as partes conectadas.




Veronika, interpretada por Rosamund Pike, tinha potencial para ser uma vilã memorável, mas o filme pouco faz com ela. As motivações são rasas, a ameaça não convence, e sua psicopatia é mais narrada do que mostrada. A atriz traz frieza e elegância à personagem, mas nem isso compensa a falta de substância. Ela exagera no sotaque e no estilo até quase tocar o território da paródia, e justamente por isso funciona. 

Truque de Mestre 3

Truque de Mestre 3 tenta reacender o encanto do original, e brilha por alguns instantes antes de parar de brilhar de vez. O elenco continua comprometido, o humor funciona ocasionalmente, mas o longa soa emocionalmente artificial e cheio de surpresas previsíveis, Exceto por uma sequência realmente engenhosa envolvendo o roubo do diamante, o resto do filme consiste em personagens insinuando truques que nunca impressionam de verdade.

Truque de Mestre 3 pode divertir quem está ali só pelos truques e pela pirotecnia. Fleischer conduz as sequências de ação com qualidade, seguido pelas tradicionais cenas de “como eles fizeram isso?”. Para quem não for exigir mais do que espetáculo visual, o filme cumpre sua função. Mas é muito barulho para pouca mágica. Fica a sensação de uma franquia cansada e com falta de frescor.