[Crítica] Emmanuelle (2024)
Emmanuelle é a nova versão de um clássico softcore de 1974 que acompanhava a jornada sexual libertadora de uma mulher francesa no Oriente. Dirigido por Just Jaeckin, o filme original era baseado no romance de Emmanuelle Arsan e gerou uma série de sequências até os anos 1990. A franquia estava adormecida até Audrey Diwan decidir revisitá-la.
No papel principal, temos Noémie Merlant, conhecida por Retrato de uma Jovem em Chamas. A proposta parecia promissora: uma cineasta com voz autoral, uma atriz talentosa, um público atual faminto por dramas eróticos com substância e produções antigas que eram problemáticas sendo apresentadas com nova roupagem. Então, por que o resultado final parece tão… vazio?

O filme desfila por corredores impecáveis de um hotel luxuoso, cenários bonitos, vendendo sensualidade com a embalagem certa, mas sem nenhum conteúdo quente dentro. O filme se passa quase inteiramente em um hotel de luxo em Hong Kong. Merlant interpreta Emmanuelle, uma mulher enviada ao local como avaliadora de qualidade, embora, na prática, esteja mais interessada em aventuras sexuais do que em cumprir qualquer função profissional.

O hotel é gerenciado por Margot (Naomi Watts), personagem apática e genérica. Já a protagonista, apesar de ser interpretada por uma das atrizes mais expressivas do cinema francês atual, tem falas tão estranhas e mal escritas que parecem ter sido pensadas pelo ChatGPT. E os personagens mal escritos não param por aí: o misterioso Kei (Will Sharpe) e a enigmática Zelda (Chacha Huang) são tão rasos que nem mesmo a fotografia exuberante consegue salvá-los.

Nem mesmo as cenas sensuais funcionam. Supostamente sedutoras, são frias e artificiais. A erotização não passa de um recurso narrativo vazio, e o desejo que Emmanuelle sente por outras pessoas raramente convence. Isso se deve, em parte, à falta de substância na construção da personagem. O filme se esforça para pintar um retrato íntimo da protagonista, mas acaba traçando contornos tão genéricos que, mesmo nos momentos mais próximos e sensuais, Emmanuelle continua sendo uma estranha distante.

A direção de arte, a fotografia e o uso da luz mostram um bom cuidado técnico. As cenas são compostas com precisão, os personagens são bem enquadrados, os cenários são bonitos, os desfoques bem aplicados. Algumas cenas de sexo funcionam visualmente. E é justamente isso que torna o filme mais frustrante: havia material estético de qualidade, mas ele foi desperdiçado em um roteiro que não sabe o que quer dizer sobre poder, desejo e prazer.

Há um olhar claramente feminino sobre a sexualidade, o que seria positivo, não fosse a falta de vigor e imaginação com que tudo é conduzido. Diwan ensaia uma abordagem revisionista, dando à protagonista certa autonomia, mas sem se aprofundar em que tipo de liberdade essa mulher realmente deseja ou precisa. O resultado é uma sequência de cenas impecáveis visualmente, conversas sem rumo e nada que realmente importe.
O que deveria ser uma jornada de autoconhecimento e empoderamento feminino acaba soando mais pretensioso e vazio do que provocante. A apatia de Emmanuelle em relação a tudo ao seu redor se estende ao espectador, deixando a experiência fria, distante e sem impacto real. Emmanuelle é elegante, mas dramaticamente apático, insosso e banal.

