Crítica

[Crítica] Meu Malvado Favorito 3 (2017)

O que mais pensei enquanto assistia Meu Malvado Favorito 3 foi: precisava? E minha conclusão foi: não. Enquanto os dois primeiros filmes da franquia são divertidos, cheios de momentos fofos e de aventura, esse aqui diverte menos e é simplesmente mais do mesmo. Não vejo outra justificativa além de arrecadar bilheteria para ele existir.

O filme começa nos apresentando Balthazar Bratt (Trey Parker), ex-astro de série de televisão infantil que caiu no esquecimento e decide adotar em sua vida a persona de vilão que interpretava na série. Ele decide roubar um diamante gigante utilizando chicletes gigantes. Gru (Steve Carell) e sua esposa Lucy (Kristen Wiig) ainda trabalham na agência anti-vilões e tentam resgatar o diamante. Eles conseguem o diamante, mas não conseguem capturar Bratt e são demitidos.

Esse já poderia ser o enredo do filme. Mas há mais: Gru é contactado por um irmão gêmeo que ele não sabia que existia, Dru. Um plot bem forçado, diga-se de passagem. Me lembrou novelas bem clichês, que quando não há mais nada para inventar na história – e as novelas precisam ficar no ar durante meses – do nada surge um irmão gêmeo até então desconhecido do protagonista, sabe?

Ainda posso fazer outro paralelo com uma novela de meses: Meu Malvado Favorito 3 tem um ritmo maçante e diversas vezes me vi distraída e perdendo o foco da produção, ficou difícil acreditar que o filme tinha “apenas” noventa minutos. A sensação de duração ficou mais perto de uma longa novela mesmo, cheia de cenas fillers para ocupar espaço.

A relação entre Gru e Dru consegue render algumas boas cenas, assim como a saga de Lucy para sentir que é uma boa mãe. Mas nada chega a ser aproveitado em seu potencial. Os minions passam boa parte do filme alheios ao enredo. Apenas dois ficam com Gru ao longo da animação, como se os cineastas responsáveis pelo filme não tivessem conseguido definir uma forma de integrar todo aquele exército de minions à história e optassem por criar um plot totalmente à parte (e bem descartável).

A doçura do filme ainda se faz presente em alguns momentos, especialmente quando Agnes está em tela. A cena em que Gru explica que unicórnios não existem é bem fofa. O antagonista da vez, o vilão Bratt, é fraco e passa boa parte do filme apenas aparecendo ao som de músicas dos anos 1980. O roteiro de Meu Malvado Favorito 3 repete a receita dos dois primeiros filmes, mas sem tanto sucesso. A falta de originalidade começa a pesar aqui e a franquia começa a demonstrar sinais de cansaço, que é totalmente transmitido para o espectador.

Ainda assim, a animação pode ser uma boa escolha para a família assistir uma comédia pastelão de forma despretensiosa. Meu Malvado Favorito 3 não é um filme horrível e até consegue divertir em alguns momentos, mas não tem o brilho dos dois primeiros filmes; ele não consegue capturar a magia que lhe era tão característica. Não é ruim, mas é sem sal.