Crítica

[Crítica] Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (2026)

Fui assistir Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno com curiosidade genuína. Mesmo sem qualquer familiaridade prévia com a obra que o inspirou e sem o hábito de consumir narrativas ligadas a games, entrei na sessão de mente aberta, esperando encontrar um filme de terror atmosférico, envolvente e, quem sabe, perturbador. Mas o resultado foi uma experiência profundamente decepcionante.

Ao longo do filme, a sensação predominante foi o tédio. Em vez de tensão ou inquietação, o que se impôs foi um ritmo arrastado, incapaz de sustentar interesse ou engajamento. O longa até tenta criar uma aura sombria, mas raramente consegue transformar isso em medo, suspense ou impacto emocional. Como terror, simplesmente não funciona.

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

A história acompanha James, um homem emocionalmente abalado que retorna a uma cidade tomada por névoa, escuridão e criaturas ameaçadoras após receber uma carta de uma mulher importante de seu passado. O filme não constrói uma progressão dramática clara nem estabelece motivações emocionais que nos façam nos importarmos com o que está acontecendo. As cenas se acumulam sem que haja um arco narrativo consistente, dando a impressão de uma sucessão de acontecimentos pouco conectados entre si.

Um dos maiores problemas está na forma como o filme tenta provocar medo. Em vez de trabalhar sugestão, atmosfera e silêncio, ele opta por excesso: sons altos, movimentos bruscos, edição exagerada e sequências que parecem insistir o tempo todo que algo assustador está acontecendo, mesmo quando não está. O medo nunca se constrói.

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno tem um aspecto artificial muito evidente, tanto que chega a incomodar. Efeitos digitais mal integrados fazem com que personagens e cenários pareçam desconectados, quase como se ocupassem planos diferentes. Em vez de imersão, o que se cria é distanciamento.

Os personagens não recebem o desenvolvimento necessário para sustentar a narrativa. Muitos surgem, desaparecem ou se repetem sem profundidade emocional, sem função dramática, funcionando mais como engrenagens da narrativa do que como pessoas com conflitos próprios. Mesmo o protagonista, que deveria ser o eixo emocional da narrativa, é retratado de forma tão passiva e repetitiva que se torna difícil criar empatia ou interesse real por sua trajetória. Não dá para torcer.

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

No fim das contas, Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno soa como uma obra que acredita que imagens, sons e conceitos soltos são suficientes para sustentar um longa-metragem. Não sei como o filme vai chegar para quem é fã do universo. Mas para quem, como eu, chegou sem qualquer bagagem prévia e apenas esperando um bom filme de terror, o resultado é um vazio difícil de ignorar. Falta substância e falta história. Sobra uma experiência cansativa, artificial e, acima de tudo, entediante. Saí da sessão não apenas sem medo, mas sem qualquer vontade de revisitar aquele universo.