Isabelle Huppert celebra estreia no Rio e destaca a força do cinema brasileiro
A atriz francesa Isabelle Huppert participou de uma coletiva no Rio de Janeiro para marcar a estreia de A Mulher Mais Rica do Mundo no Festival de Cinema Francês. Aos 72 anos, ela apresentou sua nova fase profissional e comentou a recepção calorosa do público brasileiro, reforçando a presença constante da comédia em sua carreira recente.
Durante o encontro com jornalistas, Huppert também falou sobre o impacto de obras brasileiras no circuito internacional. A atriz destacou especificamente os cineastas Kleber Mendonça Filho, Walter Salles e Karim Aïnouz, ressaltando a força criativa que o país vem demonstrando nas últimas edições do Festival de Cannes.
Huppert elogia diretores brasileiros
Ao refletir sobre o grupo de cineastas, Huppert afirmou: “O Brasil tem dois grandes diretores, e na minha opinião isso já bastaria, de tão imensos que eles são”, citando Walter Salles e Kleber Mendonça Filho. Em seguida, completou que Mendonça é “um diretor muito importante para França, cujos filmes sempre esperamos com curiosidade”. Sobre Karim Aïnouz, destacou que A Vida Invisível foi, para o público francês, “uma descoberta muito alegre”, acrescentando que o filme “caiu como uma luva” no país.
Na coletiva, a atriz também comentou sobre o distanciamento que mantém em relação às personagens que interpreta. Com humor, observou: “Eu não tenho nada em comum com meus personagens em geral. Ao mesmo tempo eu tenho tudo e nada. Tudo porque eu encarno essas figuras. Eu ainda não sou um produto de uma inteligência artificial. E nada, porque eu não tenho nada a ver com essa pessoa, nem com nenhuma das outras pessoas que eu escolho representar na tela”.
Marianne Farrère e os temas do novo filme
Sobre sua personagem em A Mulher Mais Rica do Mundo, Huppert enfatizou a importância de os nomes ficcionais não corresponderem às figuras reais que inspiraram a narrativa. “Eu gosto muito de dizer que nesse filme eu interpreto uma pessoa que se chama Marianne Farrère, é o meu nome no filme. Mas é importante dizer isso, porque Thierry Klifa não fez um filme em que ele chama os personagens pelo seu nome verdadeiro”, explicou.
Ao descrever Marianne, Huppert resumiu a jornada emocional da protagonista como uma passagem “do bem-estar para a alegria”, provocada pela chegada de um fotógrafo descrito como “um personagem completamente fora do comum. Muito brilhante, engraçado, inteligente, iconoclástico. Assolante, vulgar.” Segundo a atriz, essa presença excêntrica desperta o humor adormecido da personagem: “Isso a faz rir. Isso a faz rir, porque ela tem muito humor, obviamente”.
A relação com a filha também aparece como elemento central da trama. Huppert a definiu como uma figura “austere, bastante orgulhosa”, cuja contraposição expõe o processo de afirmação de Marianne. Ao concluir, sintetizou o movimento dramático da obra: “Então, é isso… isso conta uma história”.
