Crítica

[Crítica] F1: O Filme (2025)

Em F1: O Filme, Joseph Kosinski tenta capturar a adrenalina e o glamour da cultura da Fórmula 1, com pilotos competindo entre si em altíssima velocidade e com altíssima habilidade.

No filme, Sonny Hayes (Brad Pitt) é um ex-piloto da Fórmula 1 que, após um acidente que o forçou a se aposentar nos anos 1990, passa a competir em categorias menores, atuando como apostador e piloto solitário. Após uma rara vitória, Ruben (Javier Bardem), ex-piloto e agora dono de uma equipe de Fórmula 1, tira Sonny de uma lavanderia com a promessa de fama e fortuna. Ruben é dono de uma equipe de Fórmula 1 em crise e lhe oferece uma última chance de redenção.

F1: O Filme (2025)

O roteiro aposta deliberadamente em uma estrutura já conhecida, sem grandes inovações. O filme é contado de forma familiar e tradicional, como um bom blockbuster bem feito. Ainda assim, há diálogos que soam forçados, mas não tira o conforto de ver uma boa história de superação. O drama é levado ao limite do melodrama em alguns momentos, mas ainda assim tudo parece enraizado na realidade daquele cenário.

Acredito que teria gostado mais do filme se ele não ficasse preso a um arco previsível de redenção, com momentos em que o ritmo se perde e o clímax nunca chega com a força que poderia. A narrativa do filme se apoia nos elementos clássicos do drama, da aventura e da ação esportiva ambientada no mundo das corridas. O protagonista é um piloto tentando se redimir dos erros do passado, enfrentando provas e desafios em diversas pistas ao redor do mundo.

F1: O Filme (2025)

O desenvolvimento dos personagens poderia ter sido melhor trabalhado. O roteiro até tenta ancorar a trama em motivações humanas, mas os personagens acabam presos a estereótipos rasos, com falas genéricas e situações que nunca fogem da previsibilidade. A história recorre a clichês do gênero esportivo de forma superficial.

Os dois protagonistas, Damson Idris e Brad Pitt, se saem muito bem em seus papéis e imprimem personalidade a arquétipos familiares do cinema. A guerra entre os dois, dentro e fora das pistas, move a narrativa. Mas Joshua (Idris) é um personagem bem unidimensional, que parece apenas cumprir o papel do rebelde confiante e ambicioso. Idris entrega toda a antipatia exigida pelo papel e uma boa atuação, mas infelizmente o personagem não vai além do clássico arco de “arrogante que aprende a lição ao final”.

F1: O Filme (2025)

Kerry Condon interpreta Kate McKenna, apresentada como a primeira mulher diretora técnica de uma equipe de Fórmula 1. Ela é a única figura feminina em posição de destaque em um ambiente dominado por homens. A personagem é uma ótima adição ao filme, principalmente por dar espaço a uma mulher madura como interesse amoroso do protagonista, mas a subtrama é totalmente descartável e desnecessária.

O filme começa bem, mostrando Kate como uma mulher confiante, a primeira diretora técnica da F1. Mas, ao final, ela se torna mais um interesse romântico. Embora haja outras camadas na personagem, essa escolha é, no mínimo, questionável.

F1: O Filme (2025)

O grande destaque do filme está no realismo das cenas nas pistas. As corridas mostradas em F1: O Filme são bem impressionantes. As câmeras IMAX montadas diretamente nos carros nos fazem ter uma experiência totalmente imersiva – a gente assiste e sente as disputas. As cenas têm um tom visceral. Kosinski acerta ao usar planos fechados, subjetivos e cortes bem pensados para transmitir a sensação de velocidade e imersão. O som também reforça essa imersão, com uma mixagem que reproduz fielmente os ruídos dos motores e a vibração da aceleração. A trilha sonora, composta por Hans Zimmer, complementa bem essas sequências.

A previsibilidade pode destruir a experiência de ver um filme. Mas, com um diretor competente, isso não acontece. E por isso F1: O Filme é agradável de assistir, na maior parte do tempo. O filme derrapa principalmente na trama romântica desnecessária entre Sonny e Kate. Condon é uma ótima atriz e evita que a personagem se transforme num clichê de interesse amoroso. Ainda assim, o romance acrescenta pouco a uma história e chega a enfraquecer o arco da personagem.

F1: O Filme (2025)

F1: O Filme é um bom filme, mas poderia ser excepcional. O filme tropeça com frequência em lugares-comuns e evita se aprofundar em suas questões. O primeiro ato é excessivamente longo e redundante, enquanto o clímax demora a chegar e tenta compensar a falta de ritmo. Com mais de duas horas de duração, o filme poderia ter se beneficiado de uma versão mais enxuta.

Sem dúvida, essa é uma história bem conhecida. Mas, quando contada com tanta energia e habilidade, o saldo é positivo. Mesmo que você já saiba qual será o desfecho, você vai se entreter. F1: O Filme é um verdadeiro retorno aos bons e velhos blockbusters de férias, com todas as qualidades e defeitos que esse rótulo costuma trazer. É um filme para simplesmente curtir a viagem, na maior tela possível e com o melhor sistema de som disponível.