[Crítica] Conclave (2024)
Conclave, novo filme dirigido por Edward Berger, é ambientado no Vaticano e segue a eleição de um novo pontífice pelo Colégio dos Cardeais após o papa falecer. O filme mostra um intrincado jogo político enquanto os cardeais se reúnem para juntar os votos necessários para liderar a Igreja Católica. Recentemente, o filme venceu a categoria de Melhor Roteiro do Globo de Ouro. O seu argumento progressista provavelmente irritará parte do público, mas nada aqui é gratuito ou mal construído.
O conclave é uma das votações mais secretas do mundo e o filme faz uma construção interessante do que pode acontecer por trás dos muros da Capela Sistina durante o processo de eleição de um novo papa. Conclave mostra que os cardeais são seres humanos comuns, com suas ideologias, picuinhas e ambições, que podem fazer conspirações e até mesmo trair os colegas. O ritmo do filme é lento, com toda a narrativa sendo construída de forma gradual, mas consistente. O resultado é um filme divertido e que, apesar de poder ficcionalizar momentos, parece bem verossímil. No final das contas, é um filme bem crível.
O longa é protagonizado por Ralph Fiennes, que comanda o conclave. Ele inicia o processo de votação, que deve ser finalizado quando uma das opções receber a maioria de aprovação, de dois terços dos eleitores. Há várias opções para o cargo: Bellini (Stanley Tucci), liberal que diz não estar interessado em se tornar papa; Tedesco (Sergio Gastellitto), conservador que, se vencer, representaria um grande retrocesso para a Igreja; Adeyemi (Lucian Msamati), que seria o primeiro papa africano; e Benitez (Carlos Diehz), cardial mexicano que vem do Afeganistão e que foi promovido pelo Papa antes dele falecer.

Todo o elenco entrega atuações fortes e sólidas. Ralph Fiennes faz um ótimo trabalho ao interpretar um homem com muitas dúvidas, questionando a sua fé. Stanley Tucci consegue transmitir a dualidade de seu personagem, que não deseja a posição de Papa, mas ao mesmo tempo não quer ver Tedesco vencendo. Carlos Diehz é uma das surpresas do filme.
Apesar de boa parte da duração do filme ser dedicada às votações, o roteiro consegue manter a tensão na maior parte do tempo. A parte final de Conclave traz um grande plot twist, que é surpreendente, mas coerente com tudo o que foi construído pela narrativa até então e cria um final edificante. Mas também é ele que, além de poder irritar os mais católicos, também pode ser interpretada como a parte mais “fantasiosa” do filme. Será que isso aconteceria no nosso mundo real? Provavelmente não hoje em dia. Mas, no filme, a mensagem funciona.
Conclave é um filme divertido e envolvente sobre novos começos, seja para Lawrence ou para a própria Igreja. O conclave é cheio de segredos e conspirações. Apesar de toda a popularidade e poder da Igreja, ela ainda hoje é uma das instituições mais secretas, e esse olhar para dentro do seu funcionamento e rituais é um dos charmes desse filme, que certamente merece ser reassistido. Todo o poder de Conclave está na conversa e na “fofoca”, ou seja, em seu roteiro, que consegue conduzir o espectador por todo o rito misterioso. Conclave é um filme curioso, intrigante, ousado e divertido. Espiar o suposto passo a passo de um rito tão secreto é fascinante, e o elenco é a qualidade principal do filme.

