[Crítica] Moana 2 (2024)
É fácil entender o fenômeno que foi o filme Moana entre o público. A animação foi feita com músicas cativantes, cenários lindos e uma heroína (e não princesa!) corajosa. Moana 2 nos mostra uma Moana mais crescida. Ela é encarregada por um chamado de seus ancestrais para reunir uma tripulação e sair em busca da mítica ilha de Motufetu, para acabar com uma antiga maldição do deus Nalo.
Moana 2 tem um roteiro interessante e uma boa temática. Com certeza será divertido e agradável para quem é fã do primeiro filme. O problema é que, embora não haja nada de muito ruim no filme, também não há nada de muito bom. É um filme engraçadinho, mas não muito engraçado. As músicas originais não são ruins, são bonitas e divertidas, mas não são tão icônicas quanto às do primeiro. É uma sequência ok, sem falhas, mas também sem a energia do primeiro filme. Consegue entreter, mas não consegue recapturar a magia da primeira animação. É um filme na média, sem nada de excepcional.

É como se Moana 2 fosse uma sequência mais interessada em um possível Moana 3. Apesar da história ser legal e independente, parece ser um passo para uma outra história que virá depois. (E a cena pós-créditos parece confirmar a possibilidade do terceiro filme) O filme se baseia bem no que vimos na animação original, mas parece ter mais foco em fomentar o terreno para um futuro longa. Talvez o fato de Moana 2 ter sido inicialmente desenvolvido como uma série de TV, antes de ser transformado em longa-metragem, explique essa sensação. Certamente o filme teria funcionado como série, dando espaço para os personagens coadjuvantes crescerem e terem suas relações mais desenvolvidas com Moana e Mau – e mesmo Maui poderia ter sido melhor aproveitado e desenvolvido neste filme. A cena pós-créditos, inclusive, soa como uma forma de capturar o espectador para retornar para assistir à próxima temporada.
Apesar disso, Moana 2 é lindo e vibrante visualmente e promete ser um sucesso para toda a família. O público-alvo do filme, principalmente crianças, certamente será atingido. O filme tem a sua importância ao continuar com a quebra do arquétipo passivo de princesas que a Disney criou nas últimas décadas e vem atualizando com suas mais recentes protagonistas, como em Frozen e em Moana. Esses filmes têm como característica as protagonistas assertivas e ativas. Moana se destacou por sua ascendência polinésia e espírito marítimo, que confere uma ambientação pouco comum ao estilo Disney, e não deixa de ser sempre um acerto do estúdio.

Repetindo um “problema” do primeiro filme, este também não tem um vilão tradicional e icônico (como Cruella de Vil, Scar ou Malévola, por exemplo). O que, em vez de ser visto apenas como problema, pode ser visto como uma forma de Disney repensar o conceito de heroísmo. Isso acontece com o fato de Moana não usar poder ou força para derrotar o seu inimigo. Ela usa a sua inteligência para resolver os problemas. O maior problema sobre isso, na verdade, é que, em Moana 2, o vilão é interessante, mas, talvez por sua falta ao longo do filme, ele acaba se tornando fraco narrativamente.
Apesar de não se igualar ou superar o primeiro filme, Moana 2 funciona. Mesmo sem os clássicos instantâneos que eram as músicas da primeira animação, as novas canções originais ajudam a levar a história adiante. A sequência é uma adição alegre e cativante ao universo de Moana, ancorados na mitologia e cultura polinésia. É um filme sobre construção de comunidade, curiosidade, resiliência e crescimento pessoal. Tem muito coração no centro de sua história e é um ótimo filme para a família, mas também tem um pouco de seu potencial perdido e não atende todas as expectativas. O filme tem o seu charme, mas não brilha tanto quanto poderia. É uma tentativa genuína de reviver a magia do primeiro filme, mas não consegue ser tão emocionante quanto o esperado.

