[Crítica] Arca de Noé (2024)
Arca de Noé parte da famosa história da Bíblia, com um elenco recheado de nomes famosos, como Rodrigo Santoro, Marcelo Adnet, Alice Braga, Lázaro Ramos, Bruno Gagliasso e Seu Jorge. O filme também traz várias participações especiais de músicos, como Chico César, Adriana Calcanhotto, Céu e BaianaSystem. O filme dirigido por Sérgio Machado é uma coprodução Globo Filmes e Telecine e teve supervisão artística de Walter Salles. As canções do filme são baseadas em poemas de Vinícius de Moraes.
Noé é avisado por Deus que acontecerá uma chuva com duração de 40 dias e 40 noites e por isso ele deve construir uma arca e levar um macho e uma gêmea de cada espécie de animal. Deus faz esse anúncio com gírias, de maneira despojada, e sem dar grandes explicações (“Se vira!”). Os ratos Vini (Rodrigo Santoro) e Tom (Marcelo Adnet), um poeta e um músico, precisam arranjar uma forma de entrar na arca, já que, pela regra, apenas um deles poderia.
Arca de Noé é uma animação brasileira do início ao fim e em todos os detalhes e referências. A começar pela família humana, cheia de representatividade: Noé, branco, casado com uma negra e com uma menina com traços indígenas como filha. E esse não é o único toque brasileiro. É possível vê-lo em todos os diálogos e cenários; é um filme feito totalmente para brasileiros.

A dublagem dos personagens está ótima e consegue demonstrar química entre eles, especialmente entre o trio principal, Tom, Vini e a ratinha Nina (Alice Braga). Apesar disso, o roteiro não se sustenta em vários momentos. A partir de certo momento, o filme parece ser apenas uma sequência de cenas criadas para apresentar números musicais, nunca com algum contexto mais profundo. Faltou aprofundamento para um filme melhor: são muitos personagens e o roteiro parece ter dificuldade em se organizar ao se propor a falar sobre tantos deles. Os problemas são criados, mas não parecem ser bem resolvidos. A narrativa é sempre acelerada, com algumas resoluções forçadas.
Ainda assim, Arca de Noé é um filme leve e divertido, ótimo para se ver em família nos cinemas. Com certeza conseguirá entreter tanto as crianças, com as cenas de ação e aventura, quanto os mais velhos, com diálogos com trocadilhos. Em uma das cenas, é citado o termo/preconceito “ratismo (“Isso é puro ratismo. Você não tem lugar de furo”). Em outro, a filha de Noé questiona o motivo de só poder entrar um macho e uma fêmea na arca e pergunta sobre os animais LGBTQIA+. Na arca, os comunicados são dados se iniciando com “amigos, amigas e amigues”.

O visual da animação é cativante e os personagens são carismáticos. Mas, em alguns momentos, alguns frames e transições são meio estranhos, quase como travados. Como principal acerto, está o fato de Arca de Noé imprimir a cultura tipicamente brasileira, com a história cheia de referências nacionais. É uma boa (mas nem sempre eficaz) tentativa de adaptação de uma história tão famosa, com uma motivação genuína.

