[Crítica] Californication – 1ª temporada (2007)
Californication conta a história de Hank Moody (David Duchovny), escritor que vendeu a alma em Hollywood e está sem escrever há alguns anos. A série é uma comédia sincera, que mostra Hank como alguém romântico e apaixonado por sua ex-companheira, ainda que, paradoxalmente, fique com praticamente todas mulheres que conhece.
Mas os seus casos são sempre rápidos e sem nenhuma profundidade. E a série faz questão de mostrar a diferença disso para a sua relação com a ex e com sua filha de 13 anos Rebecca Moody (Madeleine Martin). Ele sonha com o dia em que poderá voltar a Nova York, preferencialmente com a ex e sua filha.
O protagonista afoga suas mágoas e frustrações em bebidas e sexo casual. Mas a série quer mostrar que, no fundo, ele é um bom e romântico homem. Ao mesmo tempo em que dorme com metade da população feminina de Los Angeles, ele deseja recuperar o amor perdido de Karen Van Der Beek (Natascha McElhone), detalhe que a série usa para humanizar o personagem.

O seu livro foi transformado numa comédia genérica de Hollywood. Ele não está conseguindo escrever e sofre ao ver sua ex-namorada envolvida com um novo homem, prestes a se casar. Por causa do bloqueio criativo, a série não explora o lado escritor de Hank. O foco é apenas sua vida “amorosa”, se podemos chamar assim.
Boa parte da primeira temporada de Californication também foca no que acontece após Hank passar uma noite com Mia (Madaline Zima), que tem apenas 16 anos, mas ele só descobre isso ao reencontrá-la… ao lado de sua ex, quando ele descobre que Mia é filha do noivo de sua ex. Mia tenta seduzi-lo várias vezes, mas ele resiste a todas investidas e afirma categoricamente que não sente atração por meninas tão novas e que o que aconteceu foi um erro.
As interações entre Hank e Karen são sempre interessantes de assistir. No início da temporada, somos levados a pensar que Hank a ama e que faria qualquer coisa para reconquistá-la, mas que ela não quer voltar para ele de forma alguma. Ela garante que está apaixonada por Bill, seu noivo. Mas, com o passar da temporada, vemos que ainda existe sentimento entre os dois. Entre conversas, eles flertam, acabam se beijando e passam a noite juntos.

Becca, filha dos dois, na maioria do tempo parece mais adulta e madura que os dois. E ela sonha com o dia em que os dois ficarão juntos novamente. Hank tenta ser um bom pai e um bom exemplo para a filha, mas nem sempre consegue. Há ainda Charlie (Evan Handler), agente e melhor amigo de Hank, que é o alívio cômico da série ao lado de sua secretária e sua esposa Marcie.
Californication mostra, por vezes, um comportamento irreal das mulheres; e não precisa nem mencionar que na maioria do tempo elas são tratadas como objetos. A série mistura comédia, drama, situações constrangedoras e mostra o vazio na vida de Hank e encontros e desencontros entre ele e Karen. A primeira temporada acaba num grande plot twist e nos deixa cheios de curiosidade para ver logo o que está por vir. David Duchovny está ótimo no papel – ele ganhou Globo de Ouro em 2008 pelo personagem – e tem muita química nas cenas com Natascha.


