Molly Ringwald crítica cenas de assédio em Clube dos Cinco
Clube dos Cinco é um dos filmes mais clássicos da história e um dos principais da década de 1980. Visto hoje em dia, em época de #MeToo e empoderamento, algumas cenas podem ser desconfortáveis. Molly Ringwald, a musa de John Hughes e uma das protagonistas de Clube dos Cinco (1985), fez ensaio ao NewYork e falou sobre o filme.
Ela criticou o assédio sexual no relacionamento entre sua personagem Claire e Bender (Judd Nelson). Numa cena do filme, o personagem vai para embaixo da mesa da jovem para se esconder do professor. Enquanto está embaixo da mesa, ele olha embaixo da saia da personagem de Molly. Bender também toca Claire de forma inapropriada, aparentemente, embora o público não veja a atitude.
“Ao assistir Clube dos Cinco com minha filha, eu fiquei pensando sobre essa cena. Principalmente depois de várias mulheres revelarem suas acusações de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein e com a força do movimento #MeToo. Se atitudes que subjugam as mulheres se tornaram sistemáticas em nossa sociedade, acredito que a arte que consumimos e adoramos tem alguma culpa na hora de reforçar esse tipo de situação”, opinou a atriz. “Bender assedia Claire sexualmente durante todo o filme. Quando não está sexualizando-a, passa a atacá-la verbalmente ou a chama de apelidos maldosos. Ele nunca se desculpa e, no fim, ainda fica com a garota!”.
Molly contou ainda que pediu para John Hughes cortar uma cena de Clube dos Cinco, pois a achava inadequada: o Sr. Vernom (Paul Gleason), escondido, ficava olhando a professora de ginástica nadando pelada na piscina da escola.
Molly Ringwald afirmou que ama as parcerias que teve com Hughes, pela oportunidade de trabalho e pela importância que as obras têm no cinema. “Ver que dois filmes dele tinham mulheres como protagonistas [Gatinhas e Gatões e A Garota de Rosa-Shocking, ambos com Ringwald como protagonista] e examinava seus sentimentos diante de coisas simples que aconteciam em suas vidas, enquanto também se tornou sucesso de bilheteria, foi algo incrível, que ainda se repetiu até hoje”, disse a atriz. “Os poucos blockbusters dos últimos anos estrelados por jovens mulheres eram, majoritariamente, ambientados em futuros distópicos ou envolviam vampiros e lobisomens”.
