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Darren Aronofsky fala sobre o significado de mãe!: ‘Duas grandes lições que nunca aprendemos’

mãe!, de Darren Aronofsky, foi um dos filmes que mais dividiu opinião em 2017. Há quem amou muito o filme e quem o odiou muito. O filme está com 68% de críticas positivas no Rotten Tomatoes. Mas ganhou “F” no CinemaScore.

Darren Aronofsky, responsável por filmes como Cisne Negro, O Lutador, Réquiem Para Um Sonho e A Fonte da Vida não se importa com nenhum dos dois indicadores. Na verdade, ele fica contente com as opiniões tão diferentes sobre o seu filme.



O também cineasta aclamado Martin Scorsese escreveu recentemente uma coluna elogiando mãe!. Scorsese condenou indicadores como Rotten Tomatoes e CinemaScore, e afirmou que eles ajudam a criar um ar hostil para cineastas sérios. “Depois que tive a chance de assistir mãe!, eu fiquei ainda mais perturbado com a pressa do julgamento… As pessoas pareciam estar fora de si, simplesmente porque o filme não podia ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido a duas palavras para descrição… Somente um cineasta verdadeiro e apaixonado poderia ter feito esse filme, que eu ainda estou experienciando semanas após ter assistido”, escreveu Martin Scorsese.

No filme, Jennifer Lawrence interpreta a mãe e Javier Bardem interpreta Ele. A mãe e Ele são casados e veem sua casa e espaço pessoal invadidos de maneiras bem… surrealistas.

Em entrevista ao Deadline, Darren Aronofsky mostrou entender por que as pessoas podem reagir de maneiras tão diferentes ao filme. “É tão intenso que, quando você sai, leva um minuto para processar. É o filme mais difícil do mundo para fazer uma sessão de perguntas e respostas após a exibição, porque as pessoas não querem ter contato visual com você”, disse Aronofsky, rindo. Ele acrescentou que o filme é um reflexo e um conto cauteloso. “Nós nos vemos no filme. Nós somos as pessoas, os convidados. E também nos identificamos com o personagem de Jennifer Lawrence, estamos vendo reflexões de tudo que está acontecendo com nós mesmos. Então, fica difícil falar: ‘Com certeza vou recomendar isso a um amigo'”.



Aronofsky também falou sobre o gênero de mãe!. Ou a falta dele. “O que eu amei sobre mãe! foi que, para mim, o público pode pensar que é um tipo de filme, e então ele se transforma em outro tipo de filme, e então torna-se outro tipo de filme, e eu não consigo pensar em outra coisa mais empolgante no cinema. Eu sempre segui isso”.

Após assistir o filme, o debate geralmente é: mãe! é uma parábola bíblica? Um alerta ambiental? Um drama? Um terror com vibe de O Bebê de Rosemary? “Eu realmente estava brincando com a alegoria com esses personagens reais. Eu estava vendo o primeiro homem e a primeira chegando no Éden. Eles mostram desprezo e todos meio que supõem que são bem-vindos, que é o que nós, seres humanos, pressupomos e sentimos”, explicou Aronofsky sobre sua inspiração. “É dito para nós termos domínio sobre a natureza e, muitas vezes, não pensamos no Gênesis 2:15, onde devemos realmente respeitar e cuidar do jardim. É aí que os problemas começam. As duas grandes lições do jardim de infância: compartilhe e limpe sua bagunça. São as duas coisas que simplesmente nunca aprendemos”.