[Crítica] Taylor Swift – reputation (2017)
A looonga espera acabou! O reputation finalmente está entre nós. Como já dava para imaginar após as primeiras músicas divulgadas, o álbum tem um tom mais sombrio. Mas a habilidade impecável de Taylor Swift de compor continua intacta.
Na revista especial da Target, Taylor Swift escreveu um prólogo. Nele, a cantora e compositora reflete sobre o mundo atual e redes sociais. “Nós achamos que conhecemos alguém, mas a verdade é que apenas conhecemos a versão que elas decidem nos mostrar”, escreveu Taylor, refletindo como nem sempre a forma como as pessoas se apresentam reflete a realidade.
Num tom mais pessoal, ela também refletiu sobre a imagem que as pessoas têm dela, a sua reputação. “Meus erros têm sido usados contra mim. Meus corações partidos foram usados como entretenimento. Minhas composições têm sido trivializadas como ‘exposição demais’. Quando esse álbum for lançado, sites de fofoca irão analisar as letras em busca do homem que podem atribuir a cada música, como se a inspiração para a música fosse um simples e básico teste de paternidade. Haverá slideshows de fotos falando sobre cada teoria incorreta”, escreveu.
“Apesar da nossa necessidade de simplificar e generalizar absolutamente todos e tudo na vida, humanos são intrinsecamente impossíveis de simplificar. Nós nunca somos apenas bons ou maus. Nós somos um mosaico de nossas melhores e piores partes. De nossos segredos mais profundos e de nossas histórias preferidas para contar num jantar. Existimos em algum lugar entre nossa foto bem-iluminada de perfil e nossa foto de carteira de motorista. Somos uma mistura de egoísmo e generosidade, lealdade e autopreservação, pragmatismo e impulsividade”, escreveu Taylor Swift. Que “introdução”!
Look What You Made Me Do
reputation foi lançado após três longos anos sem nenhum álbum da cantora. O primeiro single do álbum, “Look What You Made Me Do”, foi lançado há cerca de dois meses. A música é diferente de tudo o que Taylor Swift já lançou até hoje. A recepção da crítica não foi tão boa, mas eu simplesmente amei a música desde a primeira vez que ouvi. Sem exagero, quando a música foi lançada eu a ouvi tantas vezes seguidas que acho que 1 hora após o lançamento eu já sabia cantar a música inteira. Me impressionou muito e só cresceu com o tempo.

…Ready For It?
Foi diferente da minha relação com “…Ready For It?”, música que abre o reputation. Primeira vez que ouvi, não gostei nem um pouco. Depois de alguns dias ouvi novamente, ainda não gostei, achei muito menor do que LWYMMD. Com o passar do tempo fui aprendendo a apreciar. Hoje em dia já gosto. Não acho ruim, mas talvez seja a que menos gosto de todo o reputation. Ainda assim, é uma boa abertura para o álbum.

Gorgeous
Em seguida, Taylor lançou “Gorgeous”. Após ouvir pela primeira vez, gostei menos ainda do que havia gostado de RFI. Comecei a ficar preocupada com reputation. Me apaixonei por uma e “não gostei” de duas. Apesar de não ter gostado após escutar pela primeira vez, “Gorgeous” simplesmente não saiu da minha cabeça. Então eu tive que ouvir de novo. E aí não saía da cabeça e eu tinha que ouvir de novo. Ainda é uma das que menos gosto do álbum, mas tenho que tirar o chapéu para a habilidade de Taylor de compor música-chiclete. Mesmo sendo uma das que menos gosto, acho a música fofinha e muito boa de cantar junto. A letra é “bobinha”, mas claramente é proposital, então não é um defeito. Só adiciona pontos de fofura! hahahaha
Call It What You Want
Por fim, Taylor lançou “Call It What You Want” antes do álbum finalmente ser lançado dia 10 de novembro. Que música maravilhosa!! Conseguiu resgatar toda a empolgação que eu queria ter para aguardar o lançamento do reputation. A batida da música é super gostosa. Ao mesmo tempo que tem a assinatura da Taylor, é bem original, não parece uma “cópia” de algo que ela já fez. Na música, Taylor avalia o seu “império” e descobre redenção no amor. Os vocais estão lindos, a produção está maravilhosa, a batida é super gostosa, mas o destaque aqui, para mim, é a letra! Maravilhosa!
End Game
As quatro músicas acima foram lançadas antes do reputation. Então agora vamos falar de faixa a faixa do álbum. Após abrir o álbum com “…Ready For It?”, a segunda música é “End Game”. A música tem feat com o seu amigo de longa data Ed Sheeran e o rapper Future. Aí está um trio que ninguém imaginava numa música juntos, né? A colaboração não foi vista com bons olhos pelos fãs e muitos ficaram apreensivos com a produção. É uma música que fala muito sobre o “tema” do álbum: reputação. É música diferente de tudo que você poderia ouvir num álbum de Taylor Swift, com uma vibe bem R&B old school. A música deixa óbvia a busca de Taylor por um novo som, um material super original na discografia da cantora. Tem cheiro de single!
I Did Something Bad
Mais uma música incrível, com letra super poderosa. “I never trust a narcissist / But they love me / So I play ‘em like a violin / And I make it look oh-so-easy” (“Eu nunca confiei num narcisista / Mas eles me amam / Então eu os toco como um violino / E eu faço parecer oh-tão-fácil”) começa a música. E já tivemos uma “pista” sobre a música no clipe de RFI. Numa das cenas finais, é possível ver “They’re burning all the witches” pichado. É um trecho de “I Did Something Bad”: “They’re burning all the witches, even if you aren’t one / Light me up, go ahead and light me up” (“Eles estão queimando todas as bruxas, mesmo se você não é uma / Então acenda-me, avance e acenda-me”).
A música fala sobre quando você faz algo que sabe que é errado, mas mesmo assim se sente muito bem por ter feito. Foi a primeira que apareceu nos trending topics do Twitter no Brasil após o álbum ser lançado. É uma das minhas preferidas do reputation, adoraria se fosse um dos próximos singles. A batida da música é super forte e os vocais de Taylor estão, mais uma vez, perfeitos.

Don’t Blame Me
“End Game” ótima, “I Did Something Bad” maravilhosa. Aí chegamos em “Don’t Blame Me” e… mais maravilhosa ainda. Como pode? Mais uma música totalmente diferente de tudo que você espera de Taylor Swift. A música vai do mais suave ao mais pesado, com uma vibe urban e ao mesmo tempo “gospel”, por causa do coral na parte final. Uma música urban-gospel-gótica. Quando esperaríamos algo assim? Mais uma que está entre minhas favoritas.
Delicate
Depois de tantas músicas fortes, vem “Delicate” dar uma quebrada no álbum. E isso não é ruim. Como diz o título, é uma música mais “delicada”. Aqui, Taylor canta mais sussurrado. Em alguns momentos, com efeitos na voz. A batida eletrônica da música é super gostosinha. Mesmo sem a força das músicas anteriores, ainda considero um dos destaques do álbum. Uma das minhas preferidas.
So It Goes
Depois de “Delicate”, vem “Look What You Made Me Do”, que já falei acima. E depois, “So It Goes…”. Até aqui, foi a primeira música que não me deixou tão empolgada. Não achei ruim, mas talvez seja a mais esquecível do álbum.
Getaway Car
Depois de “So It Goes”, vem “Gorgeous”, e então “Getaway Car”. A música tem uma sonoridade bem 1989. Mais uma música forte e bem gostosinha do álbum. A bridge da música é maravilhosa! Arrepiei na primeira vez que ouvi. E o final também! A letra é linda… Uma das minhas músicas favoritas. (Pode ter o álbum quase inteiro como favorito? Pode, né?)
King of My Heart
Quando vi o título “King of My Heart”, imaginei que seria uma baladinha romântica. A letra é super romântica. Mas a música é bem diferente do que eu imaginava. A música tem uma vibe super anos 1980. Mais uma vez partes com a voz da Taylor cheia de efeitos. Mais uma boa música do reputation.
Dancing with Our Hands Tied
“Dancing with Our Hands Tied”, também conhecida como amor à primeira vista! Que música maravilhosa!! Super pop, dá vontade de dançar. O início com piano engana, então a música começa com a batida super gostosa. Com certeza uma das minhas preferidas. Liricamente perfeita. Taylor, eu te amo!
Dress
Depois de tantas músicas do reputation, depois de tantos hinos, Taylor ainda consegue surpreender. “Dress” é cantada mais sussurrada em alguns momentos, mais “falada” em outros momentos, com uns “gemidos” em alguns momentos e uma letra bem ousada para o que estamos acostumados na discografia de Taylor. Um super destaque do álbum. “I don’t want you like a best friend / Only bought this dress on you could take it off, take it off (ah, ah, ah)” (“Eu não gosto de você como melhor amigo / Só comprei esse vestido para que você pudesse tirá-lo (ah, ah, ah)”)
This Is Why We Can’t Have Nice Things
“This Is Why We Can’t Have Nice Things” mistura melodias pesadas e vocais suaves. A risada de Taylor no meio da música é uma ótima surpresa. Com notas de piano bem “teatrais”, Taylor fala sobre amizade, até que cai na risada e fala “Eu não consigo falar isso com o rosto sério”, super direta. Ela cai na risada após cantar “Porque perdão é uma coisa boa a se fazer”. Nessa música, Taylor fala sobre suas amizades reais e que amigos não que tentam enganá-la no telefone. Lembrou de alguma polêmica?
“Here’s a toast to my real friends / They don’t care about that he said, she said / And here’s to my baby / He ain’t reading what they call me lately / And here’s to my momma / Had to listen to all this drama / And here’s to you / Cause forgiveness is a nice thing to do / Haha, I can’t even say it with a straight face” (“Aqui está um brinde aos meus amigos reais / Eles não se importam com o que ele disse, ela disse / E aqui está para o meu bebê / Ele não está lendo o que eles me chamam ultimamente / E aqui está para a minha mãe / Teve que ouvir todo esse drama / E aqui está para você / Porque o perdão é uma coisa boa a se fazer / Haha, eu não consigo falar isso com o rosto sério”)
New Year’s Day
Achei que finalizar o álbum com “New Year’s Day”, a única balada no piano, foi bem ousado. A música é meio melancólica, reflete de uma forma meio sombria sobre finais… de festa, de relacionamento, do que você preferir. E sobre aceitar seguir em frente, mesmo que você saiba que nunca vai conseguir. Taylor mostra um lado bem frágil e vulnerável aqui. Podemos ver a Taylor sem qualquer armadura, com todo o seu coração.
O que mais impressiona em reputation é como ele consegue inovar dentro da discografia de Taylor Swift, trazer músicas que você nunca esperaria vê-la cantando, se move em várias direções, mas ainda assim consegue ser incrivelmente coeso. Como não dar a nota máxima? Já virou meu álbum preferido de Taylor.
Nas 15 músicas de reputation, nós podemos ver todas as “versões” de Taylor Swift. A apaixonada, a amiga, a “gente como a gente”, a romântica, a vítima, a vingativa, a cobra… Junte todas essas partes e você terá uma pessoa. Taylor não está negando nenhuma dessas partes, não está nos pedindo desculpas, não está dando justificativas. Taylor Swift está apenas nos dizendo que ela é mais do que apenas uma coisa, que tem mais lado do que a maioria imagina. Ilustra perfeitamente o que ela escreveu no prólogo. “Nós nunca somos apenas bons ou maus. Nós somos um mosaico de nossas melhores e piores partes”


