[Crítica] Sense8 – 1ª temporada

[Crítica] Sense 8: Primeira Temporada
A maior qualidade de Sense 8 talvez seja a riqueza que se desejou imprimir aos seus protagonistas. De fato, nunca uma série teve tantos personagens diferentes entre si, desde a herança étnica que carregam até suas motivações individuais. Reside aí também o que há de interessante na possibilidade de todas essas pessoas estarem ligadas entre si por algo que a princípio não se explica e nem se pode explicar.
Que elas estejam todas irreversielmente ligadas gera dividendos filosóficos e políticos para a série. Afinal de contas, num mundo que ainda respira tanta intolerância, é no mínimo tocante a sugestão de que uma pessoa transexual norte-americana esteja ligada a um motorista de ônibus de Nairóbi. A proposta é forte, a vida de todas as pessoas, de certa forma, pode se beneficiar da tolerância a grupos de menor visibilidade e não raro o que afeta alguém a quem nem vejo pode ter consequências reais na minha própria vida.

A série conta com oito personagens centrais de backgrounds bastante diferentes. Portanto, como afirmei no começo, essa é a maior qualidade da série, é descobrir como é a vida de cada um deles e quais são os seus diversos conflitos, externos e internos.
Sense 8 não é, de forma alguma, uma grande série – principalmente hoje em dia, quando as produções para televisão rivalizam de form tão competente para entregar narrativas envolventes e transformadoras. Não dá para segurar um roteiro, a atenção de espectadores por doze capítulos inteiros acreditanto simplesmente que se tem uma boa ideia da qual partir.
Muita coisa começa a enjoar a partir já do quarto capítulo da série. A maneira como um personagem aparece na vida do outro – por causa de um chamado, por pressentir alia necessidade de ajuda – é interessante no começo, mas depois fica repetitiva demais como um recurso que simplesmente não muda e se carrega por tantos episódios.
A diversidade de personagens, se é corajosa num primeiro momento, também se revela como péssima escolha no que toca a construção de personagens. A série tenta com muita honestidade desenvolver cada uma dessas pessoas o máximo que pode, mas a maioria dos personagens nada na superfície e podem, por vezes, resvalar na caricatura.
O principal problema no quesito depersonagens é que eles apresentam pouca ambiguidade. Por exemplo, pare para pensar em quanto deles têm defeitos arraigados. O rapaz de Nairóbi certamente não os tem, também não os tem o policial de Chicago, nem a garota islandesa – a menos empática de longe -, ou a moça idiana. Assim de cabeça, consigo lembrar que o ator mexicano é covarde sobre assumir o seu relacionamento e isso o humaniza. Já o alemão é um outro caso, ele é de fato um criminoso, como vamos descobrir mais no final da série, mas ainda assim mais profundo do que os outros. Em suma, são rasos e muito propensos à vitimização (lembre da moça indiana), o que corta muito o aspecto de empatia.
Ademais, o mistério que se cria em torno de por que eles podem se comunicar não estando no mesmo lugar, sentir o que o outro sente, participar do corpo do outro parece funcionar mais enquanto é de fato um mistério. À medida em que vai sendo revelado uma conspiração de proporções mundiais que procura capturar aquelas pessoas, a série perde em dramaticidade e cai na tentativa de achar resoluções mirabolantes.
O último capítulo da série é preocupantemente ruim e não aponta para um melhor caminho a ser seguido numa possível segunda temporada. Mas as lutas são legais.
Nota: 3/5

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