[Crítica] The Leftovers: 2×04 – Orange Sticker

[Resenha] The Leftovers: 2x04 - Orange Sticker


[contém spoilers]

No quarto epsódio da segunda temporada, voltamos a acompanhar o que se passa na cidade de Jarden (Miracle). Com o terremoto, Nora acorda desnorteada e não encontra Kevin em casa. É um momento angustiante e a bela atuação de Carrie Coon – o destaque absoluto até agora – nos leva junto. Tudo o que querem nessa cidade é se sentir seguros; não é o que vai acontecer, logo percebemos.


Nora acredita que aconteceu de novo, que as pessoas desapareceram outra vez. É tocante vê-la tentando conectar a internet em busca de informações. E, logo em seguida, no telefone: “Aconteceu de novo? As pessoas sumiram de novo?”. Kevin retorna para casa, ensopado, recebe um abraço desesperado de Nora, que depois some as escadas e recolhe-se algo magoada.

Como descobrimos, Evie e suas amigas não são encontradas. Diversas pessoas da comunidade se unem a fim de encontrá-la, improvisam uma emboscada que se revela inútil. O grande público, desesperado, liga apenas para juntar um pouco da água que ainda restou no lago depois do terremoto. Há algo de asqueroso em ver todas aquelas pessoas juntando água em seus potinhos, enquanto peixes ainda se debatem e outros deitam mortos ao longo das pedras – e, é claro, enquanto as autoridades procuram por três garotas desaparecidas. É a verdadeira fotografia do que faz a superstição, a crença, a religiosidade – que está sendo uma constante na temporada.

Enquanto a imensa maioria dos vivos buscam a grtande salvação, a resposta, outros buscam apenas sobreviver. Estamos mais interessados em saber se Kevin vai encontrar o seu celular, se ele vai finalmente admitir que é seguido por um fantasma e se vai ceder e conversar com ele.

A princípio, achei irritante o artifício de ter Patti nessa segunda temporada – e ainda acho, para falar a verdade -, mas nesse episódio a coisa parece ficar mais interessante. Como não sabemos ainda o que ela representa (muito possivelmente um acesso menos restrito de Kevin ao seu inconsciente) é interessante imaginar que Kevin, afundado em confusão paralisante, sabe mais do que imagina.

O ritmo que The Leftovers vem imprimindo nessa temporada é de uma consistência e encanto absurdos. Nos episódios 1 e 3 somos mergulhados no universo de um personagem, que quebra totalmente a narrativa e dá fôlego a qualquer coisa inteiramente nova que parece, na maior parte, mais interessante do que todo o resto. As múltiplas perguntas que desfilam à nossa frente são tão insolúveis num primeiro momento que podemos sentir a confusão mental de Kevin, de Nora e dos outros personagens. O tempreamento pesado e melancólico das sequências funciona muito bem e consegue um efeito de imersão do espectador que pouca coisa na TV hoje anda conseguindo.

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