[Crítica – Mostra SP 2019] Cicatrizes (2019)

Mais de 500 crianças desaparecem anualmente na Sérvia. E Cicatrizes se utiliza desse fato para inspirar sua história. O filme recebeu o prêmio do público no Festival de Berlim.




No filme, acompanhamos a história de Ana (Snezana Bogdanovic). Ela supostamente deu à luz um natimorto há 18 anos. Mas ela não acredita nessa história. O longa nos permite acompanhar a dor de uma mulher desacreditada durante longos anos e que não consegue superar o luto, até porque acha que a morte nunca existiu. O endereço de onde o suposto corpo de seu filho foi enterrado nunca foi informado. E por isso ela vai à polícia e ao hospital durante anos.

Cicatrizes foca boa parte no drama da mãe em busca da verdade sobre o paradeiro de seu filho. Mas, a partir de certo momento, o foco vai para sua filha, que passa a ir em busca de seu irmão. E isso nos dá um conforto, pois a partir daí a mãe não é a única que está naquela busca sem fim. Ela tem poucos recursos para buscar o seu filho, e se consome por essa falta, então ter o suporte e auxílio da filha com certeza lhe dá uma espécie de alento.




Com poucos diálogos e com a atuação poderosa da protagonista, Cicatrizes consegue traduzir toda a angústia daquela mulher e nos mostrar essa triste realidade de várias mulheres da Sérvia. É uma atuação silenciosa, mas angustiante. Quase conseguimos sentir a agonia incessante daquela mulher. A todo momento fica claro que ela está incomodada. E que não vai desistir.

Cicatrizes faz parte da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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