[Crítica – Mostra SP 2019] Chuvas Suaves Virão (2018)

Chuvas Suaves Virão chama atenção desde sua sinopse. O filme fala sobre um grupo de crianças que acorda e percebe que seus pais estão dormindo em sono profundo. Não sabemos o motivo disso ter acontecido. Sabemos apenas que essas crianças estão sozinhas naquela cidade argentina, sem a companhia de qualquer adulto acordado.




Partindo dessa premissa fantástica, o filme, que venceu o prêmio especial do júri no Festival de Mar del Plata, nos mostra essas crianças com um tom bem contemplativo e melancólico. Não é uma história sobre crianças se divertindo em um mundo sem adultos. As inspirações do longa são o conto O Pato e a Morte, de Wold Erlbruch, um poema de Sara Teasdale e uma história de Ray Bradbury. O próprio filme tem um tom literário e é estruturado como um conto, com capítulos separados por ilustrações.

Dificilmente Chuvas Suaves Virão é muito expositivo. O filme prefere nos deixar deduzir a maioria das coisas. Não há um líder definido entre as crianças, que tentam arranjar alternativas para viver sem adultos, resolvendo desde problemas simples, como uma forma de ter luz. Não há muitas respostas, mas fica a mensagem de como a união é importante, enquanto acompanhamos aquele grupo de crianças procurando o irmão mais novo de uma das meninas.

No final, Chuvas Suaves Virão nos mostra uma resposta ao que pode ter acontecido. Mas não se aprofunda nessa questão. É um filme, do início ao fim, contemplativo e com uma bela fotografia, que não se aprofunda em suas questões ou em seus personagens. É um filme sem muitas respostas, com diálogos simples e para ser apreciado sem pressa.

Chuvas Suaves Virão faz parte da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo




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