[Crítica – Mostra SP 2019] Teerã: Cidade do Amor (2019)

Teerã: Cidade do Amor acompanha três personagens solteiros em busca do amor. Acompanhamos a história de uma recepcionista de uma clínica de beleza, um melancólico cantor religioso de funerais e um ex-campeão de fisiculturismo.




A namorada de Hassam, o cantor, termina o relacionamento. Ele é convidado para cantar em um casamento e conhece a fotógrafa Niloufar. Se antes Hassam era consumido pela melancolia e só usava roupas pretas, após conhecer Niloufar ele passa a preferir casamentos que funerais e suas roupas ficam mais claras, representando o seu recente estado de espírito.

Mina, a recepcionista da clínica de estética, interpretada pela atriz Forough Ghajabagli, que venceu o prêmio de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Pequim, está acima do peso e tem o sonho de se relacionar com homens atléticos. Ela troca mensagens de texto com homens atléticos, mas usa fotos de mulheres mais magras.

Vahid, o ex-campeão de fisiculturismo, atualmente é personal trainer de homens idosos. A partir de certo momento, ele começa a treinar o jovem sobrinho de um de seus clientes e nutre sentimentos por ele. As três histórias não se cruzam, e sim são contadas como os tradicionais filmes de comédia romântica de vários núcleos.

Teerã: Cidade do Amor se distancia das tradicionais comédias românticas norte-americanas ao lidar com a realidade local. Ao mesmo tempo em que o filme fala sobre a busca pelo amor e a solidão, parece ser uma história inserida naquela cultura, mas que poderia acontecer em qualquer lugar.

O filme não tem plot twist ou um grande clímax, é um filme silencioso e melancólico que se passa quase todo de forma linear, como se recortasse um período na vida daqueles três personagens e a gente acompanhasse esse momento. A retratação das rotinas dos personagens e, por consequência, o tédio e repetição daquelas vidas, acaba por deixar o filme em si devagar e, em alguns momentos, tedioso.




Um ponto alto do filme é a história de Vahid (Amir Hessam Bakhtiari). A sexualidade do personagem é reprimida; Teerã é uma cidade perigosa para homossexuais, e o filme retrata aquele drama de forma política e sutil. Sem que sejam necessários diálogos expositivos, o discurso sobre homossexualidade está ali, palpável.

Teerã: Cidade do Amor faz parte da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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