[Crítica] Hebe – A Estrela do Brasil (2019)

De cara, dá para notar que Hebe – A Estrela do Brasil não será uma cinebiografia convencional. O filme inicia com a sensação de que pegamos o bonde andando. E isso não é um defeito. E também não é uma cena de abertura, para depois voltarmos ao início da história da apresentadora.




O filme é propositalmente assim: ele faz um recorte da história de Hebe (Andréa Beltrão), retrata apenas um período, e justamente um período que definiu a carreira da apresentadora. Ter escolhido se ater à década de 1980 é um dos principais acertos do filme. Ao focar neste período, o filme consegue aprofundar mais o seu universo, sem precisar tocar em vários tópicos, assuntos e períodos sem aprofundar a maioria.

O filme mostra o período de transição da apresentadora da Band para o SBT e tem como pano de fundo a censura no Brasil. E nos mostra uma Hebe que defende o que acredita e luta para dar voz a minorias em seu programa, além de lutar para que seu programa seja exibido ao vivo.

A roteirista Carolina Kotscho também acerta ao criar o espaço necessário para cada núcleo. O núcleo familiar da apresentadora tem um arco bem desenvolvido e auxiliam a direção de Maurício Farias. Andréa Beltrão consegue traduzir uma Hebe cheia de carisma e atitude, sem soar clichê, durante todo o filme.




Hebe – A Estrela do Brasil também nos mostra algumas figuras populares do Brasil, como Roberto Carlos, Silvio Santos, Roberta Close e Dercy Gonçalves. O encontro de Hebe e Roberto Carlos em seu programa é um dos pontos altos do filme.

Entre os principais acertos do longa estão o recorte histórico, que muitas vezes conversa com o nosso momento atual, e a atuação carismática de Andréa Beltrão. Faltou ao filme mostrar momentos mais controversos da vida da protagonista para adicionar mais nuances a ela. Mas nada que tire o brilho final dessa cinebiografia.




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