[Crítica] Alice Através do Espelho (2016)

Alice Através do Espelho chega aos cinemas 6 anos após Alice no País das Maravilhas, que foi dirigido por Tim Burton. O primeiro filme conseguiu mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias. O segundo tem o mesmo elenco do anterior, mas não traz mais Tim Burton como diretor (apenas como produtor). Dessa vez, a direção ficou por conta de James Bobin.



Alice (Mia Wasikowska) começa o filme como capitã do navio de seu pai. Ela retorna ao Reino Unido e revê sua mãe Helen (Lindsay Duncan), que está em má situação financeira. Lá, descobre que terá que ir a um baile realizado por seu ex-pretendente Hamish (Leo Bill), que também é dono da frota. Ao ver Absolem (voz de Alan Rickman), entretanto, o seu destino muda mais uma vez e ela acaba entrando num espelho, que é sua porta de entrada para o País das Maravilhas.

Em sua “vida real”, ela enfrenta problemas em sua família e problemas numa sociedade opressora que não acredita que ela, por ser mulher, pode comandar os negócios de seu pai.

Agora, Alice tem que correr contra o tempo… Sim, literalmente contra o Tempo (Sacha Baron Cohen), para descobrir o que aconteceu com a família do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). O Chapeleiro agora aparece de uma forma bem diferente, com uma maior carga dramática. Ele está deprimido e recluso, à beira de um colapso, por ter encontrado um objeto que evocou a morte de sua família. Numa terra livre do reinado da Rainha de Copas, o objetivo desta história é ajudar o Chapeleiro em seu drama familiar. Ele não aceita a morte de sua família e jura que eles ainda estão vivos. Para ajudá-lo, Alice decide voltar no tempo para salvar a família do seu amigo.

[Crítica] Alice Através do Espelho (2016)

As aparições da Rainha Branca (Anne Hathaway) e Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) parecem meio “perdidas”. A Rainha de Copas foi banida no filme anterior. O que aconteceu para ela aparecer assim, como se nada tivesse acontecido? Parece que o filme quer apenas agradar quem assistiu ao primeiro proporcionando pequenas participações de personagens que já conhecemos.

Mas tudo bem, as duas conseguem elevar o filme com suas atuações e personagens marcantes nas poucas cenas em que aparecem. E para que a participação não seja totalmente desperdiçada, podemos ver de onde surgiu todo o rancor da Rainha Vermelha pela Rainha Branca.

O Tempo não é exatamente um vilão. Ele apenas quer manter a ordem no… tempo, enquanto Alice deseja alterar o passado para ajudar o seu amigo. Faz a gente pensar se não tinha outra forma de ajudar o Chapeleiro além de mudando tudo que existe, né? E talvez por isso também a Rainha de Copas tenha aparecido, para ter uma vilã mais identificável. Mas isso acaba deixando a história ainda mais bagunçada.

[Crítica] Alice Através do Espelho (2016)

A atmosfera desse filme, diferente do dirigido por Tim Burton, é mais leve. Não que ter o visual mais “pesado” fosse um defeito. O filme acerta nos figurinos, nos detalhes de cada cenário e na direção de arte e ao incluir pequenos momentos e diálogos com detalhes feministas e empoderadores. E peca pelo roteiro fraco, falta de uma história mais substanciosa e uso excessivo de clichês.

O roteiro do filme ficou por conta de Linda Woolverton, responsável por roteiros de filmes icônicos, como A Bela e a Fera (sim, o de 1991!), O Rei Leão (!), Mulan (!) e os mais recentes Alice No País das Maravilhas e Malévola. Neste novo filme, ela se limita a um roteiro simples e super básico, que consegue divertir às vezes, mas é completamente esquecível. Tudo, cada detalhe, é muito explicativo em longos diálogos. Tudo muito expositivo. Ah, e a história nada tem a ver com o livro Através do Espelho.

Algumas das melhores partes acabam sendo no mundo real, e isso mostra o erro do filme, já que obviamente o mais atraente deveria ser o País das Maravilhas. Mas ele não é de todo mal. Há alguns conceitos legais como pequenos robôs que representam os segundos, que se unem e viram robôs maiores, os minutos, que se unem e formam a hora. As cenas de viagem no tempo também são visualmente legais de assistir.

[Crítica] Alice Através do Espelho (2016)

Alice Através do Espelho é mais um da onda de remakes de contos infantis feitos pela Disney. E eu sou super a favor disso. Por exemplo, não aguento mais esperar para assistir A Bela e a Fera. Mas nos livros, de uma certa forma, Alice lida com seus problemas reais no País das Maravilhas. Sempre há conexões com a realidade dentro daquele mundo de fantasia. Nesse filme, essas relações quase nunca aparecem, deixando-o mais genérico, clichê e até sem propósito. O filme se torna simples e puro entretenimento e nos faz perguntar: “A continuação era mesmo necessária?” Como ponto positivo, o visual do filme quase sempre acerta e é de encher os olhos.

Boa técnica, mas roteiro fraco. Por ser bem digerível, muito expositivo e totalmente inofensivo, Alice Através do Espelho se mostra uma boa opção para crianças. Ou para assistir de forma despreocupada.

Nota: 2/5

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