Cinco melhores séries de 2015 até agora (e duas decepções)




O Minuto Pop organizou sua lista com as cinco séries que considera as melhores (sem hierarquia entre elas) do primeiro semestre e o porquê. Somos fãs de todas as séries aqui apresentadas; confira logo abaixo duas decepções, das quais esperávamos tudo e ganhamos.. well… muito pouco.

As 5 melhores…

Mad Men

Foi a última temporada da série mais queridinha entre os críticos que já existiu. Mad Men está circunscrita com perfeição na recente onda de séries que primam pela qualidade do roteiro sem precisar fazer concessões a um público acostumado a determinado tipo de série.

O espectador ficou satisfeito com o passo focado da série que em nenhum momento descambou para sentimentalismo e desenhou à perfeição os seus personagens. Pudemos acompanhar o inferno interior de Donald Draper se tornar a farsa que tudo indicava que se tornaria. A series finale foi fantástica e desde já figura entre as mais bem feitas ever. Momentos de tristeza (câncer de Betty) contrastaram bem com a força e esperança de outros personagens para recomeçar (Joan Harris).

Destaque para os atores Jon Hamm e Elizabeth Moss; com seus personagens abrilhantaram a série e construíram um dos momentos mais delicados do episódio final numa conversa por telefone. O espírito da época foi maravilhosamente captado no reitro espiritual em que Don Draper se mete e onde tem um insgiht para o comercial da Coca Cola que encerra a série. Biscoito fino. E a sensação é que vai envelhecer muito bem.

House of Cards

Como a política pode ser tão eletrizante? Bem, se você tem um corrupto inescrupuloso no poder, as chances são altas. Frank Underwood, interpretado com maestria por Kevin Spacey, não mediu esforços para chegar à presidência dos Estados Unidos. Agora, na terceira temporada, a série foca na relação dele com sua mulher Claire Underwood, interpretada por Robin Wright, e em sua campanha de reeleição.

Os episódios continuam com um ritmo e clima comedido, com muita tensão entre os personagens e interpretações afiadas. O destaque é eterno para Kevin Spacey, mas Robin Wright não fica para trás em sua convincente representação de uma mulher que ficou tão gelada a ponto de não saber mais quem é.

Louie

Atualmente, ‘Louie’ talvez seja a série com mais liberdade de produção que existe. Os episódios não pretendem seguir nenhuma linha narrativa entre um e outro, não focam num tema específico e é isso o que faz dela um dos produtos mais espontâneos e criativos da TV. O comediante Louis C. K. faz uma espécie de faux autobiografia e trata de temas adultos por excelência. Como educar os filhos, o que acontece quando a amizade termina e as pessoas já não se identificam umas com as outras e o que significa envelhecer na sociedade moderna.

Recentemente, os episódios têm brincado mais livremente com um humor surreal, o que indica que Louis está tentando novas linguagens e ainda tem fôlego para mostrar muita coisa. De fato, as temporadas não se repetem, parecem inovadoras como se todas fossem a primeira. Recomendadíssima.




Girls 

Lena Dunham comanda com competência essa série que já chega a sua quarta temporada. Ela tem tido muito cuidado para não se repetir (a convenção de amigos(as) amadurecendo na cidade grande já é antiga) e sempre trazer um olhar renovado. O melhor da série são seus personagens que conseguem ser empáticos e ao mesmo tempo ser insuportavelmente egoístas.

A série gerou debate saudável no meio feminista. Lena Dunham passou a advogar nesse sentido, dizendo que mulheres podem, sim, dirigir, produzir, escrever e atuar e que as portas devem ser abertas cada vez mais para o igualitarismo na indústria do showbizz.

Orange Is The New Black

Nem tudo aqui trata de como funciona uma prisão para mulheres. As subtramas se destacam muitas vezes mais do que as principais. Personagens ricos enchem de textura a tela com roteiros bem feitos e ousados.

Assistir ‘Orange is the New Black’ é como ter a chance de dar uma espiada na vida alheia da melhor forma possível, da forma que nos enriquece e nos faz pessoas melhores. Momentos de humor servem para dar leveza a alguns momentos que não são nada menos do que brutais. Uzo Aduba ganha destaque com sua interpretação da doce e louca Crazy Eyes.

… e duas decepções.

True Detective
 
Paciência com a gente. Olha só, nós simplesmente amamos a primeira temporada de ‘True Detective’. Acreditamos que de cara foi uma das melhores séries já criadas. A mescla de filosofia do pessimismo, com antinatalismo aliado a crimes bizarros e dois detetives antagônicos criou o clima perfeito para oito episódios que chegaram perto da perfeição, na medida do que é possível de se atingir no formato televisivo.
A nova temporada, sem dúvida, nos deixou todos órfãos. Órfãos rebelados, na verdade. Tudo foi perdido. O que era clima noir na primeira virou pastiche. O que eram frases existenciais ousadas viraram jargão brega. O que era uma trama intricada virou um emaranhado incompreensível e irrelevante de fatos e intrigas.

Nós simplesmente não entendemos o que aconteceu e achamos que a única explicação possível é que o criador da série, Nic Pizzolato, não teve tempo suficiente para desenvolver (ele trabalha sozinho) uma segunda temporada à altura e levou o trabalho nas coxas.

A temporada nova não vale nada, não merece ser assistida por ninguém. Maior decepção do ano. As atuações ficam prejudicadas por causa do roteiro e não há destaques.
Game of Thrones
Foi quase unanimidade que a quinta temporada de ‘Game of Thrones’ não fez jus à sua história nem à paixão dos fãs. O ritmo foi um tanto arrastado. Vimos personagens principais subaproveitados, como Arya Stark que passou a temporada quase toda varrendo o chão.
O núcleo Dorne apresentou-se de forma kitsch, com seus personagens exagerando um tipo de sangue latino na fala (e uma história de vingança que já não está agradando ninguém). Em suma, durante seis capítulos muito pouco chamou a atenção e a coisa começou a ficar interessante a partir do finalzinho do sétimo episódio com a chegada dos Caminhantes Brancos.

Os dois útlimos episódios foram bons, mas ficou um clima de ‘too little too late’. Destaque para a trama de Sansa que arrancou boas atuações e momentos de embrulhar o estômago (coisa que a série sabe fazer tão bem e não fez nessa quinta temporada).

Uma menção honrosa

Better Call Saul
Quando foi anunciado o spin off de ‘Breaking Bad’, ‘Better Call Saul’, ficamos muito desconfiados sobre a possibilidade de dar certo. O criador Vincent Gilligan, o mesmo da adorada série do Walter White, no entanto, assumiu o compromisso e mostrou muita, mas muita qualidade mesmo. Bob Odenkirk, na pele do decadente advogado Jimmy, ganha todos os destaques.
Acompanhamos a transformação dele no Saul Goodman. O maior feito da série é convencer que aquele personagem podia ter tanta complexidade, é de ficar impressionado; adicione-se a isso um humor fino e situações bizarras e você tem um hit. Há algo de Woody Aleen em Bob Odenkirk quando se mete em confusão que é um deleite.

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